Neymar não reage e se afoga junto da Seleção Olímpica na estreia nos Jogos do Rio

 

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Seleção Olímpica não encanta, apenas empata sem gols com a África do Sul e sai vaiada por parte da torcida na estreia nos Jogos do Rio 2016 no estádio Mané Garrincha. Tem razão o torcedor. Em nenhum momento do jogo o Brasil arrancou suspiros. Neymar atuou como um principiante, que se acha dono do time, da bola, do campo. E se afogou junto com os meninos Gabriel e Gabriel Jesus. 

Se este time olímpico não provocar uma revolução na segunda partida, domingo contra o Iraque, vai viver o mesmo processo da Seleção principal, sem crédito e sem esperança. Um primeiro passo em falso de uma geração de quem se espera o resgate do futebol brasileiro.

ANÁLISE DO JOGO

Um primeiro tempo decepcionante do Brasil. Não se viu aquele processo avassalador em busca do gol. Gabriel, Jesus e Neymar não luziram. Em nenhum momento o tridente funcionou. Enroscados na boa marcação sul-africana, os três pouco apareceram. De Neymar partiram dois bons chutes a gol e mais nada.

O craque não se conectou com Gabriel nem com Gabriel Jesus. Em alguns momentos, abusou de jogadas individuais.

 

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Desencontro do Brasil não se resumiu apenas à falta de sintonia dos três avantes. Felipe Anderson e Renato Augusto, meias encarregados da articulação, também não apareceram. Não procuraram os atacantes, não inverteram o jogo e se deixaram marcar com extrema facilidade.

À beira do campo, o técnico Rogerio Micale não conseguiu orientar o time. Se limitou a palmas de incentivo, sem ação em busca de uma solução.

E olha que África do Sul não havia inventado a roda, apenas se estruturou com duas linhas de quatro na hora de se defender e com dois atacanteS policiando os zagueiros brasileiros. Marcação rudimentar adotada por 99 de 100 times de pouco recurso.

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No segundo tempo, os erros do primeiro se repetiram. Nem mesmo a expulsão de MVala, aos 14 minutos, fez o Brasil mudar o enredo. Micale tentou ainda com um quarto atacante com a entrada de Luan no lugar de Felipe Anderson. Não funcionou.

Faltou à seleção mais cabeça fria, ordem no caos. Renato Augusto e depois Rafinha não armaram. Laterais não funcionaram. Era um time sem sair do lugar, embora de muito esforço.

 

pro3-10É verdade que alugou o campo de defesa sul-africano, deu algum trabalho ao goleiro deles e ainda teve uma rara chance desperdiçada por Gabriel Jesus, a única clara de gol. De resto foram lances enganosos de um ataque que chega aos Jogos do Rio com fama de demolidor.

“Fico chateado muito triste, não costumo errar esses gols. Foi falha minha. Nenhuma ansiedade, acho que foi confiança demais. Não sei o que fiz ali. É do futebol”, disse Gabriel Jesus

Neymar, de quem se esperava tudo, nada acrescentou. Sem ritmo, sentindo a longa inatividade da última partida pelo Barcelona, no fim de maio, com férias até a Olimpíada, o craque decepcionou.

A cada lance errado, mais se exasperava e se afundava. O grande condutor não se fez protagonista e carregou junto a Seleção Brasileira à frustração. Não conseguimos renascer.

 

Brasil 0 x 0 África do Sul

Brasil: Heverton, Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos (William); Thiago Maia, Renato Augusto (Rafinha) e Felipe Anderson (Luan); Gabriel, Gabriel Jesus e Neymar. Técnico: Rogerio Micael

África do Sul: Khune; Mobara, Mathoho, Coetzee e Modiba; Mvala, Meloa e Motupa; Maluku (Moris), Mothiba e Dolly. Técnico: Owen da Gama

Público: não divulgado
Local: Estádio Mané Garrincha

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