Grêmio vê herói virar vilão e destrói Atlético-MG na primeira decisão da Copa do Brasil

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Pedro Rocha, autor de dois gols do Grêmio, saiu expulso no segundo tempo

Grêmio destrói Atlético-MG no Mineirão com autoridade de campeão e encaminha a conquista da Copa do Brasil ao vencer por 3 a 1 o jogo de ida. Na partida no Sul, dia 1º de dezembro, levanta a taça até com a derrota por 1 a 0. Aclamado como imortal, o time gaúcho não se intimidou em nenhum momento, nem mesmo quando perdeu Pedro Rocha, autor de dois gols, expulso com 21 minutos do segundo tempo. Do outro lado, vaias e críticas ao treinador do Galo.

Renato Gaúcho enquadrou Marcelo Oliveira no primeiro tempo. Fez a conta matemática e acertou ao fixar um volante (Wallace) e jogar com três meias avançados (Maicon, Douglas e Ramiro). Quatro contra os três do outro lado (Leandro Donizete, Junior Urso e Casares). Evidente que sempre sobrava um gremista sem marcação, no caso Maicon. Essa superioridade numérica facilitou a vida do Grêmio e complicou, e muito, a defesa atleticana.

Não por acaso, o time gaúcho saiu na frente com o belo gol de Pedro Rocha em passe de Maicon. Em alguns momentos, o time do Sul teve trânsito livre para sair de seu campo e descer ao ataque. Um tormento a Donizete e Urso, aturdidos e sem saber a quem marcar. Diante da tempestade, os laterais Carlos Cesar e Fabio Santos arriscavam pouco no apoio ao ataque. Sem os dois na linha de fundo, o Galo perdeu impacto ofensivo.

Outro problema: Robinho, Pratto, Casares e Maicosuel estavam a quilômetros de distância dos volantes mineiros. Viviam isolados contra uma muralha tricolor, organizada em uma linha de quatro defensores e mais proteção de Wallace e a volta de Ramiro e Maicom.

Marcelo Oliveira não fez essa leitura e viu seu time pagar com a derrota parcial no primeiro tempo. Para reverter esse quadro desfavorável no segundo tempo, teria de recuar um pouco Maicosuel para ter o mesmo número de jogadores do Grêmio no setor em que se encaminha o jogo. Compacto no meio-campo e no ritmo da sua torcida no Mineirão, poderia espremer o Grêmio.

Mais um detalhe: Robinho precisava aparecer, por a cara para fora e assumir o protagonismo.

Técnico do Atlético optou por manter tudo como estava no primeiro tempo. Com dez minutos, já havia levado o segundo gol. Mais uma vez com o garoto Pedro Rocha, em pixotada geral dos volantes e defensores do Galo na cobrança rápida de falta, quase na linha  divisória, de Maicon.

Marcelo reagiu ao gol com a saída de Casares e a entrada de Clayton. Um jeito de tirar Robinho das beiradas e encostar em Pratto. Treinador atleticano deu sorte. Pouco depois da sua substituição, o herói Pedro Rocha foi expulso – ele havia levado cartão amarelo ao tirar a camisa na comemoração do segundo gol e foi advertido com o segundo cartão ao fazer falta em Carlos Cesar, daí a expulsão. Detalhe, ele seria substituído por Everton, mas não deu tempo.

Atlético, de morto com 2 a 0 nas costas, teria de ressuscitar com um jogador a mais desde os 21 minutos deste segundo tempo. Não havia outra alternativa a não ser abafar e encurralar os gaúchos. Da pressão saiu o gol do zagueiro Gabriel, aos 34.

Agora o Mineirão trocava aflição pela euforia e pulso forte. Gremistas, antes eufóricos na arena, roíam as unhas implorando para o tempo passar o mais rápido possível.

Marcelo Oliveira fez algumas trocas, sem impacto. Seu time era coração e nenhum pouco razão. Renato Gaúcho foi mais ousado, tirou Douglas e lançou o Everton, atacante de velocidade. Uma tacada para resolver o jogo no contra-ataque. Funcionou.

Em uma arrancada de Ceromel como ponta-direita saiu o cruzamento para Everton marcar o terceiro gol, liquidar a fatura de deixar o Grêmio muito perto da taça de campeão da Copa do Brasil. Ao Atlético resta um milagre e o imponderável do futebol.

 

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