Grêmio apaga 15 anos de espera e conquista Copa do Brasil na volta do futebol após tragédia da Chapecoense

esporte-futebol-gremio-atletico-mg-ramiro-20161207-009Futebol voltou ao Brasil nesta quarta-feira ainda sob emoção da tragédia da Chapecoense. Voltou com a decisão da Copa do Brasil entre Grêmio e Atlético-MG em Porto Alegre. Todos os ingredientes do jogo estavam lá. Arena lotada, torcida pulsante, jogadores em respeito mútuo, imprensa a relatar, árbitros serenos. Tudo parecia no seu lugar, não fosse por um detalhe. Havia dor no estádio com 55.377 torcedores.

Mesmo nessa atmosfera de compaixão e paixão, o Grêmio fez valer a vantagem estabelecida em Belo Horizonte, quando emplacou 3 a 1 de forma surpreendente, no jogo de ida, e sagrou-se campeão com o empate por 1 a 1 em Porto Alegre. Conquistava assim um título nacional depois de um jejum de 15 anos. E condecorava o técnico Renato Gaúcho, ídolo de outrora e tricolor de coração.

Se no início a tragédia da Chapecoense apertava corações, no fim da partida o clima esquentou com confronto de jogadores que só acabou com a celebração gremista.

O jogo no primeiro tempo foi apenas honesto. Houve entrega dos dois lados, estratégias bem definidas e poucos lances de impacto. O time gaúcho se defendeu com sua brigada de três volantes – Wallace, Maicon e Ramio – e ainda segurou seus laterais Edílson e Marcelo Oliveira. Protegeu seu território e arriscou em contra-ataques armados por Douglas a serviço de Luan e Everton.

Carregando uma enorme desvantagem nas costas, o Atlético-MG não fez da ousadia sua principal arma. Conservador, se resguardou e se lançou ao ataque quando tinha segurança. Não arriscou, nem saiu do lugar. Para quem precisava de gols, muitos gols, sua atitude não convenceu.

No segundo tempo, quando tinha apenas 45 minutos para decidir sua vida, o Galo voltou com o meia, quase atacante, Maicosuel no lugar do esforçado Júnior Urso. Uma tentativa de  se impor mais no ataque e abrir os portões aos gols.

Mudanças ou não, tudo transcorria de uma forma muito correta, sem uma sacada inteligente. Comedido. A impressão que se tinha era de que os jogadores estavam ali cumprindo com a obrigação de jogar. Não fosse a fervura das arquibancadas, cada vez mais quente com o tempo encobrindo a dor da tragédia da Chape, a partida se desenvolvia como um mero jogo comum.

Quando tudo se encaminhava para um resultado de 0 a 0, os últimos minutos incendiaram o jogo e arena com o gol de Bolaños, aos 43, a favor do Grêmio e um golaço de Casares, em chute antes da linha divisória do campo, aos 46, surpreendendo Grohe. Ao apito final, briga generalizada entre os jogadores e a certeza de que naquele momento dor da Chapecoense já não tinha tanta importância. Uma lástima.

#forçachape

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