City na final, Neymar na encruzilhada

Mahrez celebra gol do City e Neymar opaco no PSG – foto: site Uefa

Manchester City está na final da Liga dos Campeões pela primeira vez em sua história de 127 anos. Obra de Pep Guardiola e de milhares e milhares de euros dos Emirados Árabes. Neymar, não. Sai de cena embrulhado em papel de presente sem brilho do Paris Saint-Germain.

Fora da decisão da Champions, Neymar tem de se coçar. Continuar no PGS é retrocesso. Do biliardário clube francês, alimentado com a fortuna da família real do Catar, o craque brasileiro não tem mais de onde tirar. É quase uma estrela solitária a dividir o universo infinito com Mbappé. Pouco.

Neymar chega assim à encruzilhada de sua carreira. Desde 2017, quando trocou Barcelona por Paris, o tal “menino” não desempaca. Não alcança o céu campeão europeu, nem embica candidatura a melhor jogador do mundo. Continua estacionado na garagem de uma mansão parisiense.

A única alternativa seria cobrar os ricos catarianos a contratação de, digamos, Lionel Messi e mais dois jogadores de envergadura, inquestionáveis. Aí sim teria uma nave a conquistar galáxias.

Se o PSG insistir na mesmice, restaria a Neymar o caminho da volta ao Barcelona. Desde, é claro, com a permanência de Messi no comando.

Enquanto Neymar procura uma saída deste labirinto em que se meteu, a trupe de Pep Guardiola embala a temporada dos sonhos. Está a um passo de levantar a taça da Premier League e a 90 minutos de estender seu manto na Europa campeão da Champions.

É a temporada da mais produtiva colheita de Guardiola após quase cinco anos arando a terra fria em Manchester.

Méritos, o treinador espanhol tem de sobra. A novidade desta temporada é a construção de um time sem atacantes de ofício, um amontoado de meias com extraordinário controle da bola em progressão ao território inimigo.

O City de hoje é dominante. Irrita adversários ao não se desfazer da bola por nada nesse mundo e avança no campo adversário em ondas cada vez mais volumosas até o gol. Se impõe pelo caráter e abusa da supremacia.

Nos dois jogos das semifinais contra PSG, deixou claro sua identidade e superioridade vencendo por 2 a 1 de virada no jogo de ida e 2 a 0 na volta em Manchester. Sem contestação.

Guardiola, parece, está em paz com seus conceitos e inovações. E o City é a tradução perfeita de suas ideias. Quanto a Neymar, crescem as interrogações. Quando sai da garagem se perde em Paris dando voltas e mais voltas ao redor do Arco do Triunfo.