Junho de 1982 parecia mágico, horizontes se abrindo. Chumbo do ar se esvanecia para dar cor ao país. Céu limpo, dias claros. Havia esperanças e certezas de que um novo rumo estava logo ali na esquina. Novas conquistas. Havia um time de futebol a embalar todos os sonhos. Impossível de ser derrotado. Eram todos craques, todos humanos, jogavam o que estava nas nossas cabeças, traduziam nossos pensamentos.

Quando Raí destruiu o Barcelona em 1992, Zico esfarelou o Liverpool em  1981 e Renato Gaúcho pulverizou o Hamburgo em 1983, e tantos outros chamados de heróis levaram seus times ao título, nenhum torcedor em nenhum canto do planeta estava preocupado se a Fifa reconheceria aquela façanha de campeão do Mundial de Clubes. Vencedores celebravam a conquista, perdedores choravam a derrota. Sul-americanos e europeus, não importa aqui a ordem. Eram sim senhores os campeões do mundo, mesmo que a taça não tivesse o timbre da Fifa, muito menos se o papel frio dos documentos não atestasse a idoneidade do jogo entre clubes da América e da Europa. Ninguém dava a mínima para a Fifa.