Quem tem um jogador da estirpe de Felipe Melo sabe que não vai navegar a vida inteira em águas calmas. É preciso acompanhar seus movimentos com o cuidado que se anda em uma loja de cristais. Um leve esbarrão pode provocar um enorme prejuízo. Depois, nem tem como recolher os cacos. Desde sempre ele tem sido assim.

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Palmeiras comete um erro quando aceita a premissa de que Copa Libertadores é tradução perfeita de guerra. Ao admitir esse conceito, faz de seus jogos batalhas desnecessárias. Usa a força, ansiedade e muito suor quando poderia se impor pela técnica e alta qualidade de seus jogadores, sem se deixar levar pelo anti-futebol dos adversários. Sofre quando deveria ter prazer. A vitória por 3 a 2 contra o Peñarol, nesta quarta-feira, teve tudo isso e ainda um desgaste absurdo diante da incompetência da arbitragem em todos os sentidos.

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Santos ainda está longe do futebol empolgante e entusiasmado da temporada passada. Na sua estreia na Copa Libertadores, recuperou algumas virtudes, alguns ingredientes do repertório de 2016, mas nada assombroso. Penou no primeiro tempo, mostrou autoridade no segundo e colheu um empate (1 a 1) contra o Sporting Cristal em Lima, nesta quinta-feira (09/3). Da exibição no Peru, fica claro que, nessa toada, não vai brigar pelo título continental. Mas é um sinal de vida diante da turbulência e desconfiança que assolam o clube neste início de temporada.

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Palmeiras quis guerra quando era necessário jogar bola na estreia na Copa Libertadores. Nada mais questionável do que encarar a competição continental como algo diferente, de que o jogo físico deve ser valorizado mais do que a técnica. Ao partir para o confronto corpo a corpo contra o modestíssimo Atlético Tucumán, saiu com prejuízo. Perdeu Vitor Hugo com 20 minutos do primeiro tempo e, com um a menos no tablado, deixou de se impor como um pretendente ao título teria de obrigação de fazer. Por isso, o empate por 1 a 1 fora de casa não foi tão ruim, apesar dos poucos recursos do adversário argentino.

4bb9228521b7706f8af0ab6511487c18Palmeiras e Flamengo entram em 2017 da mesma forma como fecharam 2016. O clube paulista leva vantagem diante do carioca, assim como aconteceu no Brasileirão do ano passado. Seja na contratação de reforços, seja nos acordos de patrocínio. Confronto saudável e um bem ao futebol brasileiro neste início de temporada.

Palmeiras vai mudar seu perfil na próxima temporada. Aquele time campeão brasileiro, moldado a trocar passes e fazer do ataque uma avalanche, deve ser mais conservador. Vai perder leveza. A mudança é em função da Copa Libertadores, principal meta do clube em 2017. Contratações do porte de Felipe Melo, Guerra e, provavelmente, do lateral Willian (Internacional de Porto Alegre) e o atacante Borja atendem às exigências de um time mais cascudo, rodado. Falta nesse pacote, um extra-série do porte de Gabriel Jesus.

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Corinthians se reconcilia com sua gente ao se impor diante do invertebrado Internacional. A vitória por 1 a 0 serve como antídoto contra a crise e, sob olhar da torcida com sede de vingança, ajuda a destroçar ainda mais o time gaúcho – um gigante encomendado à Série B de 2017 com todas as honras. Marlone, autor do gol e candidato ao Gol Puskas (o mais bonito do ano), simboliza a noite perfeita desta segunda-feira ao Alvinegro.