New Jersey 5 de julho 2026

Luiz Antônio Prósperi, de New Jersey, 5 julho 2026

Estamos condenados a sofrer no dia 5 de julho. Em 1982, quando encantamos o mundo com Falcão, Cerezzo, Sócrates e Zico e Telê no comando, também caímos no 5 de julho diante da Itália. A diferença agora é que não encantamos mais o mundo faz muito tempo. Erramos tudo. Desde a queda na Copa de 2022 no Catar, mais regredimos a avançar. Não cuidamos de nossos bens mais valiosos e agora pagamos a conta.

Carlo Ancelotti, aclamado melhor técnico do planeta futebol, dirige times de futebol e não faz milagres. Geração de Neymar também sai de cena após quatro Copas frustradas. E o meninos de agora, Endrick, Rayan e companhia, podem comer areia à espera de 2030. Quem sabe eles possam mudar a história.

O jogo da derrota

Brasil deixa de sair com vitória parcial no primeiro tempo quando Bruno Guimarães desperdiça pênalti sofrido por Matheus Cunha. Goleiro Nyland, 35 anos, defende chute, quer dizer, um traque de Bruno aos 13 minutos.

Erros da Seleção Brasileira não se resumem ao pênalti mal batido. Jogamos fora uma série de pelo menos três contra-ataques, com clara manifestação de gols, por falta de capricho e nervos no lugar no último passe. Falta de sintonia entre Vini Jr e Matheus Cunha na hora do bote fatal.

A estratégia de Ancelotti estava bem clara. Que a Noruega ficasse com a bola, a trocar passes na zona morta do campo. Um vacilo e o Brasil beliscaria roubando a bola e partindo rumo à felicidade. Daria certo se nossos homens de frente estivessem menos afoitos.

Da Noruega se esperava mais do que as investidas de Haaland. Aliás as melhores oportunidades deles partiam da bola longa lançada pelo goleiro Nyland sempre em direção ao cometa.

Quando Haaland superava Marquinhos e Gabriel Magalhães no alto e no tranco, se instalava o pânico no país tropical. Ele vence duas vezes a nossa zaga, mas a sobra era de seus parceiros. A mais clara cai nos pés de Odeegard, que chuta fraco e Alisson defende.

Assim a Noruega se vira no primeiro tempo. E o Brasil ainda com receio dos dribles e pouca criatividade quando estava a poucos palmos do gol dos vikings.

Podemos perguntar se Martinelli deu conta do recado. Sim. E muito bem. Escalado na vaga de Paquetá, machucado, não decepciona. Faz tudo certo entre o ir atacar e vir a defender. Faltou a Martinelli a coragem dos destemidos na hora de chegar na linha de chute ao gol.

Brasil precisa do dribles, ir para cima. Sem medo. Atitudes para o segundo tempo. Sem pedir muito, com mais vibração da silenciosa torcida brasileira.

Aos 12 minutos, Ancelotti resolve mandar Endrick aos leões. Menino entra na vaga de Cunha.

Com Endrick não se pode piscar. Casemiro rouba a bola, serve Vini, que, de primeira coloca Endrick na cara do gol. Ele arrisca tirar a bola do goleiro com um toque colocado e manda para fora. Mas estava dado o recado.

Gol perdido. Noruega esfria o jogo. Troca passes de lá para cá em busca do bote com Haaland.

Ancelotti recorre a Neymar e Danilo Santos. Saem Martinelli e Rayan. Endrick vai para ponta-direita. Seleção perde vigor na marcação. Noruegueses aproveitam, avançam, continuam trocando passes sem assédio dos nossos.

Haaland aparece de uma vez por todas. Cruzamento da direita. Engana Magalhães e mata Alisson. Noruega 1 a 0.

Gol de Haaland destroça a cabeça da Seleção. Perdemos tudo.

No desespero do Brasil, a calma dos homens de gelo. O mais gelado deles, Haaland coloca o time de Ancelotti e uma nação no chão. Chute seco de fora da área, rasteiro comendo a grama, decreta Noruega 2 a 0.

Brasil era derrotado mais uma vez por um adversário europeu no mata-mata. Tem sido assim nas últimas cinco Copas do Mundo. E vai ser assim se o futebol brasileiro não se deitar no divã e parar de improvisar.

Ainda tivemos um pênalti para Neymar se despedir da Seleção e das Copas. Ele faz o gol, como sempre. O último ato do melhor jogador do Brasil nos últimos 20 anos. Anote aí: New Jersey, 5 de julho de 2026

 

 


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