Luiz Antônio Prósperi – 14 julho 2026
Espanha vence a França por 2 a 0 e vai à final da Copa do Mundo 2026. Não é apenas uma vitória de registro histórico, é uma aula de futebol. Coletiva, serena, sem arroubos de força física, sem entrega fora do limite, apenas catedrática. Dona de si, do jogo, do campo e da bola. Tudo isso sem deixar a França pensar e reagir. E assumindo um compromisso com futebol na sua essência. De respeito e sabedoria.
Quanto à França, leva para casa um estilo que funciona e muito bem quando tem espaço para correr. Quando não tem estrada livre, estaciona e fica a ver o adversário jogar. Nesta data simbólica de 14 julho, ao celebrar a Queda da Bastilha, os franceses se rendem à Espanha, o novo império do futebol europeu por enquanto e, provavelmente, do mundo logo ali.
O Jogo
Olhar de peixe morto, nariz adunco, alma fria. Bola na marca do pênalti. Oyarzabal não dirige sua atenção ao goleiro francês. Mira as redes. Bate forte, meia-altura. Gol espanhol. O discreto charme de um goleador colocava a Espanha na frente da França, 1 a 0, aos 22 minutos do primeiro tempo. Oyarzabal acaba de converter o pênalti sofrido por Yamal em erro quase imperdoável do lateral francês Digne.
Vantagem de uma seleção fiel a seu estilo de posse de bola, troca de passes, sem pânico e segura a conter os rompantes franceses. Mbappé neutralizado. Dembelé controlado e Olise, sumido. Enquanto isso, Rodri, Fabian Ruiz e Dani Olmo absolutos. E com pouca participação do menino da fuzarca, Lamine Yamal.
Evidente que nos 45 minutos tivemos alguns momentos de boa trama da França, mas sem exigir grande esforço do goleiro Unai Simon. Claro que a Espanha chegou pelo setor esquerdo em cruzamentos terríveis aos franceses.
França ainda lamenta a baixa do zagueiro Saliba, machucado. E a saída de Rabitot, condenado por um cartão amarelo, na volta do segundo tempo. Koné entra no lugar de Rabiot.
Segundo tempo começa e a Espanha estende seu manto no campo. Assume por completo o controle do jogo. Clássica, imponente, futebol fino, sem arroubos nem pontapés nos lances divididos. Se transporta ao ataque com troca de passes curtos. Rodri e Fabian Ruiz regentes.
Incisiva no setor direito com Porro apoiando Yamal e Olmo articulando, Espanha chega ao segundo gol. Porro, de surpresa e sem marcação, marca aos 13 minutos: 2 a 0. A favorita desde a Copa do Mundo passada estava nas cordas.
Yamal marcaria o terceiro em seguida. Gol anulado por impedimento do menino genial espanhol. Sorte francesa.
O que a França poderia fazer? Olise, o craque, estava no bolso de Cucurella quando se meteu a jogar na ponta-direita. Mbappé sem espaço para correr. Dembelé encaixotado.
Vem a pausa da hidratação e Deschamps saca Olise, o sumido, e manda a campo Cherki, o atrevido. E Theo Hernandez por Digne.
La Fuente responde sacando os cansados Olmo e Fabian Ruiz por Merino, o talismã, e Pedri, o garoto da batuta. Pouco antes havia entrado Ferran Torres no lugar do artilheiro Oyarzabal.
As trocas de jogadores pouco muda o curso do rio.
Não fosse alguns erros individuais, como um de Laporte que obriga a Unai Simon atuar de zagueiro e goleiro, a França pouco teria incomodado. Ou de Yamal em falta no Duoé, mal batida por Mbappé.
De resto, a França não é mais que melancólica. Soberana, a Espanha se dá ao luxo de colocar os franceses na roda nos minutos finais.
França estava no chão. Mbappé aniquilado. E fim de sonho de chegar à terceira final consecutiva de uma Copa do Mundo.
A Espanha entra pela segunda vez na sua história em uma final de Copa do Mundo. Na primeira vez, em 2010, levantou a taça.
Que se cuidem Argentina ou Inglaterra. Quem passar vai medir forças com uma seleção que não joga futebol, dá aula de futebol.
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