Raphinha: Jogador de clube ou de Seleção Brasileira?

Raphinha na escola de samba da Restinga em Porto Alegre – foto: Fifa oficial

Luiz Antônio Prósperi – 30 setembro 2026 (11h40)

Raphinha é desconvocado da Seleção Brasileira. Está fora do amistoso contra a Índia, sábado (03/10), último da série de três jogos na Data Fifa. O jogador tem um pequeno edema na região posterior da coxa direita, informa a CBF.

Sai Raphinha, entra a questão: o novo camisa 10 do Brasil é jogador de Seleção ou de clube?

Cada vez mais as evidências apontam Raphinha um tigre faminto no Barcelona e uma jiboia saciada com a camisa da Seleção.

Recorro a essa figura de imagem usada pelo técnico Paulo Autuori nos anos de 1990 a 2000. Autuori dizia que preferia um jogador no seu time com a fome de um tigre a uma jiboia saciada depois de engolir um bezerro.

No Barcelona, Raphinha arrasa. É o tigre faminto. Apenas neste início de temporada 2026/2027 seus números impressionam: marcou 14 gols – 12 gols em 7 jogos em LaLiga (Campeonato Espanhol) + 2 gols em 1 jogo na Champions League.

Na Seleção Brasileira é uma jiboia enfastiada desde a sua estreia com a camisa amarela em 2021: 43 jogos, 12 gols e 8 assistências. Entra nessa estatística duas Copas do Mundo (2022 e 2026) disputadas. 

No amistoso contra Austrália, terça-feira (29/9), Raphinha fez um gol cobrando pênalti na vitória do Brasil por 4 a 2. Ele não marcava um gol pela Seleção desde 20 de março de 2025, quando fez um na Colômbia nas Eliminatórias da Copa 2026.

O que falta a Raphinha na Seleção ?

Essa história de jogador de clube ou de Seleção não é uma novidade no futebol brasileiro. É um eterno debate. E por uma razão bem simples: personalidade.

Raphinha já atuou de ponta-esquerda, ponta-direita, meia e falso 9 (centroavante) no Barcelona. Nas quatro funções do ataque sempre se destacou como imprescindível ao time espanhol. Sobram personalidade e vontade.

Na Seleção Brasileira a conversa é outra. Também executou essas quatro funções no ataque com a camisa amarela sem vingar em nenhuma delas. Falta personalidade e sobra soberba.

E quando é indagado nas entrevistas, costuma entrar em polêmicas desnecessárias. A mais marcante:

“Para ser sincero, sinto que realmente é diferente o carinho do torcedor brasileiro comigo do que o pessoal de fora. É natural. Eu saí muito jovem do Brasil, não consegui criar conexão” – Raphinha

O que dizem de Raphinha no Barça e na Seleção

“Ele é um dos melhores jogadores do momento. Sua presença nos dá mais opções avançadas e ajuda a animar os torcedores. Para mim não falta nada para que Raphinha seja decisivo na Seleção.”
Carlos Ancelotti, técnico da Seleção.

“Ele abre o campo e tem uma qualidade enorme. Jogar ao lado dele facilita muito o meu jogo.”
Vinícius Jr, companheiro de ataque na Seleção.

“Nunca tive um jogador como ele. Raphinha é incrivelmente dinâmico com e sem a bola. Ele é especial, e representa exatamente o tipo de futebol que quero ver no Barcelona.”
Hansi Flick, técnico do Barcelona.

“Tenho muito carinho por ele, me ajuda bastante e é uma liderança para todos os jovens do elenco. Ele me apoiou desde que subi ao time principal.”
Lamine Yamal, companheiro de ataque no Barcelona.

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Número nas camisas

Raphinha usa a camisa 11 no Barcelona. Na Seleção Brasileira, agora é o camisa 10, número imortalizado por Pelé desde a Copa de 1958 e com herdeiros de respeito em outras Copas como Rivellino, Zico, Raí, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e, por último, Neymar.

Raphinha tem 29 anos e pelo menos com mais uma Copa do Mundo pela frente. Nascido em Restinga, na periferia de Porto Alegre, nunca atuou em um time profissional no Brasil. Saiu das categorias de base do Avaí, de Santa Catarina, direto para o futebol europeu.

Ronaldinho Gaúcho também é de Restinga. O “Bruxo” também vestiu a camisa do Barça e fez misérias no time espanhol colocando o mundo a seus pés. E foi campeão com a Seleção na Copa do Mundo de 2002.

Por enquanto, as coincidências entre Raphinha e Ronaldinho Gaúcho param por aí. Nasceram na Restinga. Chegaram com méritos no Barça. Vestiram a lendária camisa 10 da Seleção.

Um é o Buxo. O outro, um Aprendiz de Feiticeiro.


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