Luiz Antônio Prósperi – 29 setembro 2026 (10h33)
Seleção Brasileira vence segundo amistoso contra Austrália por 4 a 2 em Brisbane nesta terça-feira (29/9). Nada de outro mundo. Apenas um ensaio de um despertar depois da queda na Copa do Mundo 2026. Evidente, com boas e más notícias.
As boas notícias, segundo Carlo Ancelotti:
Os esquema 4-3-3 e 4-2-3
“Não sei (se funcionou melhor, o 4-3-3). Acho que não é o momento para dizer qual é o melhor sistema (4-3-3 ou 4-2-4). Acho que temos, no geral, uma qualidade de jogadores com que podemos seguir trabalhando o sistema do primeiro jogo (4-2-4) e também esse sistema (4-3-3). É verdade que, agora, neste momento não temos muita produção de jovens meio-campistas. Por isso, Breno (Bidon), Gabriel (Bontempo), que jogou hoje, vamos olhar para eles e ver se outros jovens podem mostrar sua qualidade no meio de campo. A linha é muito clara, vamos seguir as duas linhas: o sistema com os quatro na frente e o sistema com os três meio-campistas.”
De fato, é cedo, muito cedo, para falar qual sistema é o ideal nessa retomada ou reconstrução da Seleção. Com três meias, time se encorpa mais e se defende um pouco melhor. Na vitória no 4 a 2 nesta terça-feira (29/9), deu certo. Com quatro atacantes cria mais oportunidades de gol, desde que os quatro estejam bem sintonizados. No 1 a 1 no primeiro amistoso, sexta-feira (25/9), foi um horror.
Outra boa notícia: Endrick
Ao entrar na vaga de Raphinha, logo na volta do intervalo, Endrick incendeia a Seleção na disputa corpo a corpo com os grandalhões australianos. E também com as faíscas nas arrancadas em busca de Vini Jr. Como se acendesse a luz despertando seus companheiros ao jogo. Entre eles, Vini, o mais dorminhoco.
E dessa vez Endrick atuando como um 9 de ofício. O simples gesto de comprar briga com os australianos e atuar em velocidade vertical rumo ao gol mudou o comportamento da Seleção. Chamou todos à responsabilidade. Faltou ao garoto apenas o gol para coroar seus minutos.
Mesmo sem o gol, Endrick dá um recado a Raphinha.
Alçado a capitão do escrete e líder técnico pro ordem de Ancelotti, Raphinha deixa cada dia mais claro a pecha de jogador de clube e de pouca empatia com a Seleção. Bem diferente de Endrick nesse conceito.
As más notícias
Continuamos a pé com os goleiros. Hugo Souza no primeiro amistoso e Otávio, 20 anos, nesse segundo jogo mostraram que estão léguas de distância a brilhar debaixo das traves. Mais que isso: transmitir segurança à defesa e a todo time. Inseguros, colocaram a Seleção em apuros.
Aos vacilos dos goleiros se junta o péssimo posicionamento da defesa nos lances de bola parada. Mesmo com zagueiros grandalhões, sofremos à beça e levamos um gol atrás do outro. Levar três gols da Austrália é um acinte.
Ensaios de um despertar
No fim do enredo, esses dois amistosos servem para dar início à reconstrução da Seleção Brasileira.
Não é hora de cobrar. É hora de testar jovens, vasculhar no palheiro à procura de pepitas, joias de brilho próprio. Cavar o chão, peneirar a areia. Sem alarde e sem arroubos.
Então, a palavra está com Ancelotti:
“A melhor maneira é a seleção brasileira se apresentar bem, tentar fazer um jogo bonito e seguir com a ideia clara, com progressão dos jovens. Eles estão tomando esse momento. Sou muito claro com eles: não é um teste, eles não estão aqui para eu ver como são ou como não são. São muito bons e têm que aproveitar essa oportunidade. Nós vamos acompanhar essa progressão. Repito: estou muito confiante com esse jovens, e outros vão estar na próxima convocação”.
E, por fim, alívio:
“Para o treinador, a vitória é fundamental. Porque, se perde o jogo, você é burro. Se ganha o jogo, é muito bom. Eu não levo a sério nenhum dos dois, fico tranquilo, vejo que a equipe está progredindo e melhorando. Esse é o caminho” – recado de Ancelotti.
Certamente esse caminho passa por Endrick. Anotem aí.
ao vivo: acompanhe coletiva de Carlo Ancelotti pós-jogo Austrália 2 x 4 Brasil
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