Inglaterra x Argentina: Quem pode decidir, poder de sedução de cada seleção e onde assistir o jogo ao vivo

Bellingham e Messi – foto: Fifa oficial

Inglaterra e Argentina decidem nesta quarta-feira (15/7) quem vai enfrentar a Espanha na grande final da Copa do Mundo 2026. Trata-se de um jogo recheado de história. Messi, o centro das atenções, joga em busca da artilharia e evitar a sua última dança na Copa. Imperdível.

Onde Assistir Ao Vivo

Inglaterra x Argentina – 16h (horário de Brasília

Quem transmite:

na TV: Globo, SBT e NSports

no Youtube: ge (Globoplay) e CazéTV

Local: Atlanta (EUA)


QUEM PODE DECIDIR

do lado da Inglaterra:

Jude Bellingham, o múltiplo de três: atacante, meia e volante

Harry Kane, o furacão dos gols decisivos

Anderson, o carregador de piano e arquiteto da casa

do lado da Argentina:

Lionel Messi, o último gênio extraterrestre do futebol

Julian Alvarez, o incansável caçador de gols

Enzo Fernandez, o prático horas improváveis


PODER DE SEDUÇÃO

Inglaterra – Não faz nada brilhante, nada inquestionável, mas não desiste nunca do jogo. Se nega a perder.  Técnico Thomas Tuchel conta de onde vem essa sedução: “É preciso ser de uma raça especial para dar o último passo e jogar nesses momentos. Não tenho palavras para elogiar os jogadores que se dedicam, que demonstram fiscalidade, que liberem as pernas, se sentem livres e lutam até o fim.”

Argentina – Não brilha nessa Copa, nem faz nada de muito diferente desde a conquista de 2022 no Qatar. Se recusa a jogar com pontas, sem seguir a tendência da maioria das seleções. Mas compensa eventuais carências jogando com gana de campeão até o último segundo dos jogos. E não se intimida a jogar por Messi, viver à dependência de Messi. Até porque só a Argentina tem Messi.


O QUE ELES DIZEM

“E, claro, a história… eles também são movidos por isso. Eles são movidos pela história, ela significa muito para eles. Então, basicamente, é isso que esperamos e é o que vamos enfrentar. Mas também somos emotivos, temos a garra, temos a mentalidade necessária para enfrentar isso. E estamos prontos para isso” – Thomas Tuchel

 

“É só um jogo de futebol. Temos um pouco de experiência nesse tipo de partida. Isso não garante vantagem, mas talvez nos permita entrar em campo com mais tranquilidade, algo que conquistamos ao longo do tempo” – Lionel Scaloni


HISTÓRIA

InglaterraQuando se trata de Inglaterra e Argentina, nunca é apenas um jogo de futebol. O primeiro encontro entre as duas seleções em 21 anos acontece numa semifinal de Copa do Mundo, o que significa que a importância da partida não poderia ser maior. Mas essa rivalidade é construída sobre emoções, tensões, controvérsias e rixas acirradas.

Em campo, a rivalidade gira em torno das quartas de final da Copa do Mundo de 1986, em que Diego Maradona marcou talvez o gol mais controverso e, em seguida, o mais bonito da história da competição, em apenas quatro minutos. Mas a inimizade remonta a 1966 — quando os jogadores argentinos foram descritos como “animais” pelo técnico da Inglaterra, Alf Ramsey, após uma tensa partida das quartas de final da Copa do Mundo em Londres — e inclui confrontos acirrados em 1998, com o cartão vermelho para David Beckham , e em 2002.

Fora de campo, a história é mais profunda, remontando às invasões britânicas da Argentina durante as Guerras Napoleônicas, no início do século XIX, e à disputa em curso pelas Ilhas Malvinas, um arquipélago no Atlântico, a cerca de 480 quilômetros do extremo sul da América do Sul. A Grã-Bretanha reivindicou as Malvinas inicialmente em 1774, reafirmou seu domínio em 1832 e novamente em 1982, quando as forças militares argentinas invadiram o que chamam de “Las Malvinas”. Isso desencadeou uma guerra de 74 dias que terminou com 907 baixas, a maioria soldados argentinos, e as ilhas novamente sob controle britânico (do site The Athletic)

Mural em Buenos Aires – foto: The Guardian oficial

 

Argentina – Ujogo entre Argentina e Inglaterra sempre terá um elemento especial. Não por vingança ou por cair em um nacionalismo exacerbado, mas pelo peso de uma história que atravessa gerações. Nesse percurso estão o Gol Impossível de Ernesto Grillo, que deu origem ao Dia do Jogador; a partida da Copa do Mundo de 1966 com a expulsão de Rattín e o apelido de “animais”; os dois gols de Maradona no México em 1986, a Mão de Deus e o Gol do Século; a disputa de pênaltis na França em 1998, em Saint-Étienne; A memória da Copa do Mundo de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, quando o pênalti convertido por David Beckham complicou a trajetória de uma seleção que chegou como favorita, e também uma história marcada por conflitos que vão desde as invasões britânicas até a Guerra das Malvinas, que ainda se refletem nos cânticos das arquibancadas. Nada disso será resolvido nesta quarta-feira em Atlanta. Mas outro capítulo será escrito em uma das partidas mais memoráveis ​​e simbólicas que a Copa do Mundo tem a oferecer (do jornal La Nacion, Buenos Aires).

“Pelas Malvinas, por Diego, pelo último gol de Leo”, cantava a plenos pulmões a seleção argentina no vestiário após a vitória sobre a Suíça nas quartas de final. Rodrigo De Paul enviou sua camisa emoldurada da Copa do Mundo de 2022 para o centro de veteranos das Malvinas em Lomas de Zamora. E, para ser justo, esse processo já estava em curso muito antes de 1982, uma insurgência pós-colonial que, possivelmente, começou nas décadas de 1940 e 1950 sob Juan Perón, uma recusa gradual e deliberada da influência inglesa, através da qual o futebol atuava como uma espécie de canal retórico (do The Guardian).


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