Inglaterra vence França por 6 a 4 e fica com terceiro lugar na Copa 2026, a melhor colocação desde 1966

imagem Fifa oficial

Luiz Antônio Prósperi – 18 julho 2026 (20h21)

Inglaterra vence a França por 6 a 4 e garante o terceiro lugar na Copa do Mundo 2026, a sua melhor colocação desde 1996 quando foi campeã. O jogo maluco tem os ingleses abrindo 4 a 0 no primeiro tempo com os franceses envergonhados e mudança do curso do rio com a reação da França anotando quatro gols e a Inglaterra cravando mais dois. Jogo de ressaca? Pode ser. Quem fica fora da última dança da Copa tem direito a se divertir à beira do salão.

O Jogo

Torcedor da França deveria ir embora no intervalo do jogo. Passaria na bilheteria do estádio ou entraria no aplicativo do celular a exigir a devolução do dinheiro pago pelo ingresso. Gesto para manter a dignidade. E até um direito adquirido tamanho constrangimento vivido nas arquibancadas e camarotes com a goleada parcial de 4 a 0 a favor da Inglaterra. Torcedor evitaria uma vergonha maior, uma vez que em campo os jogadores franceses não tinham a menor vontade de jogar ou caráter de vestir a camisa azul. Levavam uma surra dos ingleses. Quase sadomasoquistas.

Desinteresse, apatia. Correr para quê? Soberba da França alijada da final pela Espanha. Se não estava na final da Copa do Mundo, disputar o terceiro lugar seira um sacrilégio. Nós, a melhor seleção da Copa 2026, jogar para ver quem fica em terceiro? Não, nos interessa. Lastimável.

Inglaterra não quis nem saber. Com o time quase inteiro reserva, com a maioria dos jogadores querendo mostrar serviço, a esquadra inglesa enfileira um gol atrás do outro. Sem constrangimento tamanha facilidade.

Declan Rice, aos 3 minutos, chutando de fora da área. Konsa, aos 18, de cabeça. Saka, aos 37 e 46: 4 a 0. Tudo isso no primeiro tempo.

No intervalo, querendo esconder a cabeça dentro do blazer, Didier Deschamps diz: “Uma catástrofe. Cada ataque deles, um gol. Inglaterra quis jogar com dignidade.”

Deschamps se despediria do comando da seleção da Franca nessa última dança na Copa do Mundo. E, para ter algum alento na despedida, volta com quatro substituições no seu time. Entram Barcola, Digne, Dembelé e Upamecano – todos titulares na campanha da Copa.

Bola em jogo. Upamecano rouba a bola de Watkins, serve Olise e dali o passe com mel para Mbappé marcar, aos 3 minutos. França 1 a 4 Inglaterra.

O nono gol dele, agora o artilheiro da Copa 2026, e seu 21º primeiro na história das Copas – mesmo número de Lionel Messi até ali.

Se a França não queria nada com a vida no primeiro tempo, no segundo a postura muda. E um alô a Mbappé. Toma, vamos jogar por você.

Barcola diminui a diferença marcando o segundo dos franceses, aos 9 minutos. Anota aí: França 2 a 4 Inglaterra.

Então, o curso do rio muda. Franceses apertam o passo. Resolvem jogar. Os ingleses perdem a sintonia.

Os craques começam a fazer a diferença. Olise-Mbappé, um nome composto a serviço da dignidade francesa. Tabelinha entre os dois e Mbappé crava o terceiro da França. França 3 a 4, aos 21 minutos.

Mbappé chegava a seu 10º gol na Copa 2026, dois a mais que Messi na corrida pela Bola de Ouro. E seu 22º gol na história das Copas, tornando-se o maior artilheiro pelo menos até este domingo antes da final Espanha x Argentina.

 

Mbappé agradece a Deschamps – foto: Fifa oficial

O criticado técnico alemão da Inglaterra, Thomas Tuchel, não reage diante da volúpia francesa.

E só vai mexer no time aos 34 minutos, com Bellingham e Anderson nos lugares de Toney e Eze. Apoderava mais meio-campo e ataque.

Bellingham arruina de vez a defensa francesa. Primeiro arruma contra-ataque que termina em gol perdido de Watkins. Depois, vira o jogo para Spence em lançamento absurdo. Spence sofre pênalti de Gusto. Saka bate. Gol. Terceiro gol de Saka no jogo. Inglaterra 5 a 3 França, aos 42 minutos.

Fim de papo. Nada disso. Dembelé ainda marcaria o quarto gol francês.

Faltava emoldurar o jogo. Cabe a Bellingham dar o último traço de tinta assinando seu nome com um golaço no último minuto dos acréscimos. Pronto, Inglaterra e França poderiam ir embora sem remorsos. A Copa 2026 acabava ali.

Inglaterra, terceira colocada, a melhor posição desde 1966 quando sagra-se campeã na Copa do Mundo em que foi anfitriã.

França, um constrangido quarto lugar para quem era favorita levantar a taça. E a despedida acanhada do técnico Didier Deschamps, o chefe nos últimos 14 anos.


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