Luiz Antônio Prósperi – 1 setembro 2026 (23h18)
Atlético-MG joga, Cruzeiro, não. No clássico mineiro valendo vaga à semifinal da Copa do Brasil, o Galo faz valer a força de mandante, vira o jogo (2 a 1) e se classifica. Agora, aguarda o vencedor de Grêmio x Internacional para conhecer seu adversário da semi.
Não pense que tudo foi bem simples. Dramas e tensão. Reviravoltas inimagináveis. Chuva e vibração incondicional da torcida atleticana moldaram o cenário na Arena MRV os 90 minutos até o capítulo final com o gol de Fred, o gol da virada, aos 43 minutos do segundo tempo.
Antes mesmo de o jogo começar, Atlético perde volante Maycon no acontecimento. Menos de 15 minutos de jogo, e o zagueiro Ruan, aquele da pancada de Kaio Jorge no primeiro jogo, sai com lesão na coxa. Menino Vitão entra no seu lugar.
Vitão, pouco depois, faz pênalti em Kaio Jorge. O acusado de homicida pelos dirigentes do Galo vai lá e bate o pênalti. Foguetão no alto da rede. Cruzeiro 1 a 0, aos 30 minutos.
Do gol de Kaio Jorge até o fim do primeiro tempo, Cruzeiro abdica do clássico.
Atlético, não. Reúne todos seus homens dentro do campo celeste e vai bombardeando o goleiro do Cruzeiro. De escanteios a cruzamentos da intermediária e, raro, tabelas centrais.
Nada de gol do empate.
Vem o segundo tempo, Galo continua dono do terreiro. E canta alto, empurrado por decibéis alucinados da torcida, até Villalba ser expulso em lance infantil na lateral, aos 15 minutos.
Com um a menos, Artur Jorge retira de campo suas estrelas: Gerson (machucado), Matheus Pereira (exausto) e Kaio Jorge (desmilinguido).
Inexplicável, Artur. Como assim retirar de cenas seus principais artistas no 11 contra 10? Cruzeiro para.
Atlético continua jogando. Troca peças para fazer seu time jogar mais perto um do outro, passes curtos, troca de confidências na entrada da grande área. Não abusa de cruzamentos na área.
E assim, Fred acha Vitor Hugo na marca do pênalti. Passe perfeito e Vitor Hugo fuzila Otávio. Atlético 1 a 1 Cruzeiro, aos 32 minutos do segundo tempo.
Nessa altura do jogo, Scarpa já estava em campo. Então, Scarpa e Fred montam parceria. Trocam passes. Chamam Vitor Hugo a compor o triunvirato.
É de Vitor Hugo a troca de passes com Fred e dali chute ao gol da virada. Aos 43 minutos. Vitória consumada. Classificação garantida.
Fred, aquele de duas Copas do Mundo com Tite no comando da Seleção Brasileira, chega nesta janela de transferências ao Galo e apresenta suas credenciais no terceiro de jogo depois da volta ao Brasil.
Fred, o símbolo da virada.
Uma vitória e a classificação às semifinais da Copa do Brasil com assinatura do Eduardo ‘Barba’ Dominguez, treinador argentino com ar de intelectual da bola.
Ao Barba, à impressionante mobilização da torcida e apoio incondicional na Arena MRV, a Fred, Scarpa e Vitor Hugo e a todos coadjuvantes, o Atlético entrega essa noite épica.
Minas está pintada de preto e branco. Galo continua forte e vingador.
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