Luiz Antônio Prósperi – 17 setembro 2026 (12h06)
Ajoelhado e cabeça mergulhada na grama fria da Neo Química Arena, Memphis Depay disse a Fernando Diniz: “Me sinto a pior pessoa do mundo”.
Essa cena, registrada nas lentes da TV depois de alguns minutos do fim do jogo, era o epílogo mais inacreditável da noite fria de quarta-feira (16/9).
Torcedores, mais de 48 mil espalhados na Neo Química Arena, ainda estavam de boca aberta e olhos arregalados de susto.
Ninguém ali entendia como Memphis, o astro da companhia, o jogador mais caro do grupo, o mais querido por eles torcedores, poderia cometer tamanha insanidade. Mandar à lua encoberta a bola do chute fatal na marca do pênalti.
Justo ele, Memphis, depois de uma renovação contratual imposta pela torcida contra os poderes do clube.
Pois é, os fortes também fracassam.
Pênalti perdido, chance desperdiçada de se empatar o jogo e levar a decisão aos pênaltis valendo vaga às semifinais.
“Tá todo mundo junto nessa”, disse Diniz a Memphis. “Bater pênalti é para quem tem coragem”, insistiu o treinador pouco depois na entrevista coletiva nos subterrâneos da arena.
E mais: “Corinthians tem 116 anos e ganhou só uma Libertadores na sua história. O jogo era de quartas de final da Libertadores. Era o último lance. É preciso ter coragem para bater um pênalti desse”.
Algumas horas depois de se escrever o capítulo final dessa quase tragédia do futebol, Corinthians recebe um duro recado de parte de seu torcedor mais fiel:
“Fora Memphi$, Salário de milhão Futebol de centavos” dizia a pixação nos muros do Parque São Jorge, sede do clube, quando se iniciava a madrugada dessa quinta-feira (17/9).
Daqui para frente, pelo menos até o fim de 2028 quando se encerra seu contrato, Memphis Depay vai ter de conviver com esse drama. Se é que ele cumprirá o contrato até o fim.
Corinthians tem agora apenas o Brasileirão 2026 pela frente. É o 14º colocado com 32 pontos, quatro a mais que o primeiro da zona de rebaixamento – Vasco 28 pontos.
Sem vencer nos últimos cinco jogos no Brasileirão, Corinthians recebe em casa o Fluminense, semifinalista da Libertadores. Domingo na arena em que Memphis Depay terá de encarar milhares de torcedores incrédulos.
É preciso ter coragem, como diria Fernando Diniz.
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