Redução de jogadores estrangeiros nos clubes não ajuda a Seleção Brasileira

Ancelotti nos treinos da véspera da queda do Brasil na Copa – foto: CBF oficial

Luiz Antônio Prósperi –  22 setembro 2025 (13h01) 

CBF e clubes aprovam redução no número de jogadores estrangeiros em jogos do futebol brasileiro. Hoje o limite é de 9 (nove). Até 2030, times poderão usar no máximo até 5 (cinco) por partida. Com essa medida, espera a CBF, os clubes utilizarão mais os jogadores de suas categorias de base fortalecendo assim a formação dos jovens em benefício da Seleção Brasileira. Balela.

O debate seria mais sério se não fosse jogado na mesa como uma fórmula pronta e submetido ao crivo dos clubes.

CBF se defende apontando estudos que mostram jogadores estrangeiros cada vez mais tirando espaço dos nossos jovens da categoria Sub-23 anos. E ainda com dados científicos que indicam que esse aumento no número de estrangeiros prejudica a formação de nossos garotos.

A medida contempla também o crescimento do número de jogadores Sub-23 a serem inscritos por clube. A meta é atingir a proporção de 25 (jovens) e 25 (sem limite de idade) no grupo de 50 atletas inscritos por time no Brasileirão.

Opinião

A redução de estrangeiros pode ser benéfica ao futebol brasileiro desde que os clubes invistam para valer nas categorias de base.

Investimento sério e dentro do orçamento de clube. E não apenas formar para vender, prática enraizada desde os primórdios de nosso futebol.

Contrapartida dos que são contra a redução de estrangeiros é o livre mercado. Clube organizado e de gestão responsável tem o direito de investir o quanto pode na contratação de jogadores. Perfeito.

Mas, na outra ponta da história, é que um clube sério também teria como princípio investir na formação de jovens jogadores. Essa prática, com raríssimas exceções, não tem sido norma na realidade do nosso futebol. Com ou sem jogadores estrangeiros ocupando vagas dos mais jovens.

E esqueçam essa lorota de que a Seleção Brasileira sairia ganhando com clubes investindo mais na base a partir do momento em que CBF amplia aproveitamento de jogadores Sub-23 nos campeonatos nacionais.

Seleção Brasileira forte se faz com critérios e princípios na hora de se formar uma comissão técnica em todas suas instâncias. Do treinador ao roupeiro. E não apenas escolher um técnico de mais prestígio, em alta no mercado no momento da escolha.

Passou da hora de a CBF formar seus próprios técnicos das seleções, da principal até Sub-11.

Jogadores temos de sobra. Continuaremos a produzir pencas e pencas de meninos talentosos.

Com ou seu medidas protecionistas, como essa redução de estrangeiros, nossos meninos continuarão a escapar daqui e dali comprados por grandes potências do mercado europeu.

Seleção Brasileira se faz e se forma com métodos e não com quantidade ou não de jogadores talentosos.

O QUE FOI APROVADO

Estrangeiros em súmula: redução gradual do limite atual de 9 para 8 em 2027, 7 em 2028, 6 em 2029 e 5 em 2030.

Lista de inscritos: manutenção do limite total de 50 atletas, divididos entre Lista A (jogadores acima de 23 anos) e Lista B (Sub-23).

A divisão começa em 30/20 em 2027 e chega a 25/25 em 2030, ampliando progressivamente o espaço para atletas mais jovens.


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