Luiz Antônio Prósperi – 6 outubro 2026 (15h42)
Diego Maradona de terno e sapatos finos faz embaixadinha com a bola à beira do campo no Estádio Ellis Park, região central de Joanesburgo, África do Sul. Era um dia 12 de junho. Frio lascado por volta de 11h no horário local. Estávamos a poucos minutos do início Argentina x Nigéria na primeira rodada do Grupo B da Copa do Mundo de 2010. Messi estava entre os dez jogadores titulares escalados por Maradona para estreia da Argentina naquela Copa. A meu lado na tribuna de imprensa do mítico estádio sul-africano estava o jornalista mineiro Alexandre Simões, na época a serviço do jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte. Simões um apaixonado por futebol tanto como eu. As vuvuzelas atordoam os ouvidos.
Começa o jogo. Maradona, o imortal, se acalma à beira do campo. Em seu primeiro lance de arrancar suspiros, Messi, 23 anos, em sua segunda Copa do Mundo, arranca, dribla três nigerianos, serve Higuain que perde gol. Tudo normal. Jogo ainda sem grandes impactos quando, de repente, um jogador da Argentina (não me lembro o nome agora), ousa a lançar Messi. Esse “anônimo” estava quase na zona intermediária do campo argentino. Faz um longo e alto lançamento até Messi, instalado no setor esquerdo do ataque lá no fundo do campo. A bola viaja uns 70 metros e vem certeira em direção a Messi. Começa cair em alta velocidade. Seria difícil o craque dominá-la. Quando ela está no fim da queda, Messi estica levemente a perna esquerda. “Mata” a bola com carinho no pé esquerdo e a coloca de mansinho no gramado, com todo cuidado, evitando que ela sofresse com a queda. Dali, ele a levaria para driblar um nigeriano qualquer.
Olhei para o Alexandre Simões. Inebriados com o lance de Messi, repetimos a mesma frase: “Bom, já podemos ir embora”. E: “Quem quiser ficar que pague outro ingresso. A ‘matada’ de Messi, já valeu o ingresso”. Levantamos de nossos assentos na tribuna, como se fossemos nos retirar do estádio. Evidente, era apenas uma homenagem a Messi por ter proporcionado um lance tão comum no futebol, mas com a fina classe de quem empunha uma taça de cristal.
O jogo terminou 1 a 0 para Argentina. Messi não fez o gol. Saiu de campo com as honras de ter sido um dos melhores da partida.
Acompanhei Messi em mais quatro Copas do Mundo. De 2014 no Brasil, 2018 na Rússia, à consagração de campeão em 2022 no Qatar e, por último, as lágrimas do craque na Copa de 2026 nos Estados Unidos.
Sinceramente, nada supera aquela primeira vez em que vi o gênio em uma Copa do Mundo. Já se passaram 16 anos. Messi fez misérias nesse tempo todo. E, o ápice, ao levantar a taça na Copa de 2022.
Mas aquela “matada” na bola no Ellis Park em 2010 ainda está em minhas retinas como um filme inesquecível de há muito tempo, numa galáxia muito, muito, muito distante…
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