Luiz Antônio Prósperi, dos Estados Unidos, 24 junho 2026 (11h53)
Brasil x Escócia é mais que um jogo para se definir a classificação final do Grupo C na Copa 2026, nesta quarta-feira (24/6), em Miami. Trata-se de um teste final da Seleção Brasileira na encruzilhada entre escolher se somos um time ou se vamos comportar como um amontado de jogadores pensando apenas em si.
Não se conquista confiança da torcida a milhares de quilômetros de distância sem mudar de postura. Enfeitar menos, ser práticos a mais.
Na estreia com Marrocos, prevalece o lado individual. Cada um querendo agradar sua torcida de clube. Levamos um vareio. Não perdemos quase que por um milagre.
Contra Haiti, sem levar em conta a fragilidade do adversário, pensamos mais no coletivo. Ordenamos o meio-campo. Casemiro protegendo. Bruno Guimarães e Lucas Paquetá no auxílio a Casemiro e, ao mesmo tempo, arcos a acionar as flechas Vini Jr, Matheus Cunha, Raphinha e depois Rayan. Funcionou à satisfação da preferência nacional.
Era tão óbvio como um ovo não ficar em pé. Pragmático, Carlo Ancelotti, o Carletto, percebe que a coisa anda melhor assim e projeta o Brasil nessa organização contra os escoceses. Evidente com ajustes mais adequados à circustância de um adversário de marcação dura, físico forte e imposição nas divididas. Mais afeito aos contra-ataques às construções ofensivas a partir de seu território rumo à zona rural do Brasil.
Diz a cartilha de Copas do Mundo: o maior desafio é tirar do cérebro dos jogadores os registros neurônicos a que se habituaram em seus clubes. Trocar chip, o cartão e-Sim, do ego de cada um. Usar a tal individualidade, o talento, nos momentos cruciais do jogo a favor do coletivo da Seleção e não a favor pessoal a inundar suas redes sociais.
“Joguem em nome do povo brasileiro”, pede o presidente Lula em suas redes sociais.
“Nós temos muita experiência e qualidade no meio-campo. Temos muita experiência no meio-campo. Temos um time completo, estou muito satisfeito com eles, temos características diferentes, mas os jogadores estão mais adaptados ao nosso estilo”, reafirma Ancelotti.
Sim, Ancelotti e Lula têm razão. É preciso ser um time e jogar com gana vencedora.
Temos um bom arsenal. Armas letais no banco: Endrick, Luiz Henrique, Danilo Santos (Botafogo) e bons coadjuvantes como Gabriel Martinelli, Igor Thiago.
E, mais precioso, Neymar.
Se recorrermos à nossa cultura, a hora é de acender velas, rezar, se benzer nos becos e encruzilhadas, dar um gole em nome do santo, cruzar os dedos, fazer figa, louvar Nossa Senhora e pedir: ser um time de verdade vestido de Seleção Brasileira.
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