Brasil vence Escócia por 3 a 0, consagra Vini Jr e lança Neymar na Copa

Luiz Antônio Prósperi, dos Estados Unidos, 24 junho 2026 (20h05)

Brasil vence Escócia por 3 a 0, garante primeiro lugar do Grupo C com sete pontos, se mantém na base em Morristown e consagra Vini Jr. Tem mais. Neymar entra aos 21 minutos do segundo tempo como um figurante de respeito no enredo da Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo 2026. A rampa do futuro está pronta. Agora é aguardar o adversário da fase 16 avos: Holanda, Japão ou Suécia, um deles estará na nossa frente. Marrocos se classifica em segundo, também com sete pontos, mas atrás do Brasil no saldo de gols.

A vitória vem no molde Carlo Ancelotti de ver o futebol. Sem arroubos, tudo no seu lugar, casa bem arrumada, sem bagunça ou exibicionismo. Um modelo que pode levar o Brasil longe na Copa, desde que expoentes como Vini Jr estejam afinados na fase mata-mata. E diante de adversários mais sérios e não galinhas mortas como a Escócia.

O jogo

Vini Jr assume o jogo no primeiro tempo. Agradece a gentileza dos escoceses, enfileira três gols (um anulado) e decreta vitória parcial do Brasil por 2 a 0. Resultado a garantir a primeira colocação no Grupo C. Vini chegava a seu quarto gol na Copa do Mundo reivindicando um lugar entre Mbappé, Haaland e piscando para Lionel Messi.

Atos de Vini nascem de uma sintonia bem afinada entre marcação lá atrás, pressão sem botes físicos na saída dos escoceses e muita concentração na hora de roubar a bola.

Primeiro gol, aos seis minutos, cabe nessa moldura. Rayan aperta MCKenna. Tira o doce da criança escocesa e serve Vini. Frio, sem arroubos, limpa o goleiro do lance, empurra a bola leve ao fundo da rede. Brasil 1 a 0.

Vantagem no placar tranquiliza o escrete. Seguro na defesa, sem muito esforço no meio-campo e eficiente no ataque, cria mais duas oportunidades de gol desperdiçadas por Rayan e Cunha.

Aí vem o segundo gol do Brasil repetindo mesmo roteiro do primeiro. Agora Vini rouba de Jack Hendry e bate de leve cruzado. 2 a 0? VAR inventa uma falta de Vini em Hendry, anula o gol aos 24 minutos. Decisão do VAR irrita Ancelotti e sua trupe. Pausa para hidratação.

Estádio feliz no lado verde e amarelo, jogadores brasileiros confiantes.

Partida se reinicia com apagão da Seleção. Ninguém acertava um mísero passe.  Escócia encaixa três escanteios consecutivos. E fica nessa pobreza.

Brasil retoma as rédeas do jogo. Toca daqui. Toca dali. Cozinha os escoceses e se aproxima da zona de gol sem assédio, sem sacrifício. Escócia aceita. Olha o escrete jogar.

Nos acréscimos depois de dois escanteios seguidos, Bruno Guimarães cruza da direita. Perfeito. Vini entra atrás da zaga e, de cabeça, confere. Brasil 2 a 0, aos 48 minutos.

Vini colocava o primeiro tempo no bolso. E os escoceses liberaram o uísque da festa tropical.

Lá em Atlanta, Marrocos pelejava para fechar os 45 minutos iniciais com um empate por 2 a 2 com Haiti.

Segundo tempo começa todo favorável ao time de Ancelotti. Vini solto, leve como uma libélula, cria embaraços na defesa. Eles não sabem caçar borboletas.

Aliás, difícil encontrar nessa Copa uma defesa tão fraca, tão desatenta nas movimentações do ataque brasileiro, como essa Escócia.

Então Casemiro tem uma bola de graça, serve Bruno Guimarães infiltrado entre os zagueiros. BG ilude marcação e rola para Matheus Cunha cravar o terceiro gol da Seleção e o seu terceiro na Copa, aos 14 minutos.

Tudo certinho, tudo sem arroubos e pirotecnia. Um time moldado ao puro estilo Ancelotti de ser. Uma fórmula certeira nos clubes que se adapta à receita da Seleção Brasileira.

Restava à torcida brasileira pedir por Neymar em uma só voz. Ancelotti cede aos apelos. Levanta a mão à beira do campo e chama Neymar.

Aos 30 minutos, Neymar pisa no campo no lugar de Cunha. Êxtase no estádio de Miami. Há quase três anos o craque não vestia a camisa amarela. Era apenas para ganhar o tal ritmo de jogo.

Neymar ganha companhia de Endrick, a dez minutos do fim do jogo. Os queridinhos da torcida em campo. Os dois têm alguns lances de perigo, mas nada de outro mundo.

O jogo acaba. Festa da maioria esmagadora da torcida em Miami. Próxima parada é na cidade de Houston Seleção Brasileira não quer nem ouvir: “Houston, temos um problema”.


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