Luiz Antônio Prósperi, de Morristown, 2 julho 2026
Uma rocha modula a vasta área verde de um condomínio de belos casarões anexo ao CT Red Bull, casa de treinamentos da Seleção Brasileira em Morristown, cercanias de New Jersey, desde da primeira semana de junho. Uma rocha solitária. Nos primeiros dias, ela servia de moldura de algumas inserções da TV Globo nos vídeos gravados pós-treino do escrete. Cayê Motta, do globo esporte (ge), costumava gravar suas matérias ali ao lado da rocha. Um dia, no cume da rocha, estavam empilhadas cinco pedras. Percebi as pedras sobre pedras e perguntei a Cayê se ele sabia quem havia empilhado as pedras. O jornalista me responde: “Não tenho a menor ideia”. Aquela cena das pedras uma sobre a outra me chama atenção. Dia seguinte, já quase ao fim de junho, fui ver as pedras. Em vez de cinco empilhadas, apenas três. Encafifei. Me vem a cabeça uma analogia: seriam as pedras no caminho de Ancelotti na Copa?
Nesta quinta-feira (02/7), sob escaldantes 36 graus com sensação térmica de 42, acompanho o treino da Seleção no CT Red Bull. Antes de entrar no setor dos campos, dei uma espiada na rocha e percebi que o número de pedras empilhadas caía de três para duas. Mistério.
Acompanho os 15 minutos de treinamento, com jogadores pisando na grama seca verde – a mesma do estádio MetLife, palco de Brasil x Noruega, domingo às 16h, valendo vagas às quartas de final da Copa. Rayan, em controle de carga, não treina. Mas vai jogar.
Paquetá e Raphinha nem sentiram o cheiro da grama. Tratam de suas lesões musculares na parte interna do CT Red Bull.
Ancelotti, boné amarelo na cabeça em proteção ao sol infernal, reúne jogadores em campo, passa as instruções e começa a montar o quebra-cabeça a respeito de quem escalar na vaga de Paquetá. Os candidatos: Danilo Santos (Botafogo), Endrick, e aí Matheus Cunha na função de Paquetá, Fabinho pra reforçar a marcação no meio-campo, e Martinelli, o predestinado.
São essas pedras que Ancelotti tem de mover até domingo.
Os 15 minutos de treinos concedidos à imprensa se encerram. Somos obrigados a deixar o setor dos campos. Boa oportunidade para aproximar-me da rocha solitária e ver de perto quantas pedras estavam empilhadas. Contei duas.
Então, das cinco, uma sobre a outra no início desse história, temos duas.
Matemática diz que três foram retiradas do montinho de cinco.
Pensei: Uma poderia simbolizar a classificação do Brasil ao mata-mata após a fase de grupos. A segunda seria a vitória contra o Japão que levou a Seleção Brasileira às oitavas de final. E a terceira, a solução de Ancelotti sem Paquetá.
Restam duas pedras. Quem sabe uma delas representaria a classificação do Brasil contra a Noruega e, por tabela, vitórias nas quartas de final e semifinal. E, a última, a conquista do Hexa.
Nesse caso, não restariam mais pedras empilhadas sobre a rocha solitária. A rocha continuaria ali. Impávida. Acumulando energia no sol de Morristown.
Se essa analogia estiver correta, bem que Carlo Ancelotti poderia levar a taça de campeão da Copa do Mundo 2026 e depositar em cima da rocha. Daria uma bela foto, um vídeo. As pedras de Ancelotti.
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