Luiz Antônio Prósperi – 19 julho 2026 (19h31) –
Espanha vence Argentina por 1 a 0 na prorrogação, após empate sem gols no tempo regulamentar, e levanta a taça de campeã da Copa do Mundo 2026. Segundo título de sua história contando a conquista de 2010. Uma vitória completa. Um triunfo de um jeito de se jogar futebol de sua patente. Argentina não viu a bola. E Messi não joga para fazer milagres. Sem acionar seu craque, os argentinos não tinham um caminho a seguir. Ao fim do jogo, Messi senta no gramado e diz adeus às Copas. Seria justo ser eleito o melhor de todos em 2026.
Espanha ensina aos céticos que ser fiel a seus princípios vale mais que arroubos e soberbas de quem se imagina grande e vive estacionado em conquistas de 30 anos atrás. Que a lição espanhola seja obrigatória em todas catedrais do futebol. Futebol hoje é coletivo.
O Jogo
Primeiro tempo morno. Nada intenso. Espanha mais com a bola, como era de se esperar. Argentina marcando e sem saída em busca do ataque. Risco zero nos dois lados. Nenhum chute dos argentinos a gol. Duas beliscadas sem inspiração dos espanhóis. Quem acreditava em um jogo eletrizante, de impacto, digno de final de Copa do Mundo, se decepciona nos 45 minutos.
Nem Messi, muito menos Yamal aparecem com destaque. Prováveis protagonistas sem ter como exibir seus repertórios. Insossos. Tão longe da bola. Tão longe do gol. Evidente, desânimo nas arquibancadas.
Show mesmo apenas no intervalo. Madonna ao lado de Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno. BTS! Ted Lasso. Justin Bieber. Shakira. Se encerra com Pelé no telão pedindo “love, love, love” e um coral de crianças contando Love.
Fim de show. Vinte e sete (27) minutos de intervalo. Vamos ao segundo tempo. Os 45 minutos finais da Copa 2026.
Argentina volta com Paredes, até então titular em toda campanha no torneio. Entra no lugar de Nico Gonzalez. Assim Mac Allister e Enzo Fernandez sairiam mais para o jogo. Espanha igual.
Paredes mostra a que veio. De ombros em Rodri. Falta e amarelo. Modo Paredes de jogar. Entrar na mente do adversário. No caso, do jogador mais cerebral da Espanha.
Os espanhóis não entram no modo de Paredes. Aceleram troca de passes. Chegam com mais perigo na zona de gol. Um pouco mais de capricho e sairiam na frente no placar.

Fuente resolve se coçar. Troca Oyarzabal e Fabian Ruiz por Ferran Torres e Pedri. Espanha continua em cima. Acumula boa sequência de escanteios. Clara manifestação de quem quer vencer.
Argentina continua paralisando o jogo. Marca e desacelera. E não chega no outro lado do campo. Não chuta a gol. Isola Messi. Não se faz assim com o dono da Copa 2026.
Pausa da hidratação. Scaloni troca zagueiro Romero e De Paul por Medina e Simeone.
Jogo continua lenga lenga. Nem a torcida se anima nas arquibancadas. Dois times sem muita inspiração. Os espanhóis ativos, donos da situação.
Espanha mexe de novo. Saem Baena e Olmo. Entram Nico Williams e Merino. Mais vocação ao ataque.
Espanha encantoa Argentina. Fustiga. Consegue escanteios. Obriga rebatidas de Dibu Martinez. E nada de gol.
Argentina suporta. Arrefece o jogo e tenta sorte nos últimos minutos. Nos acréscimos, Enzo Fernandez é expulso por levar segundo cartão amarelo. A final da Copa iria à prorrogação. E Argentina com um jogador a menos.
Dois minutos de prorrogação, Dibu evita gol de Nico. Registros do jogo: 16 finalizações a gol da Espanha contra zero da Argentina.
Lance mais agudo nesse inicio do tempo suplementar, juiz não confirma gol de Nico. Alega falta em Otamendi.
Espanha prensa Argentina dentro da área. Roda a bola. Arremata e não faz o gol. Fim do primeiro tempo da prorrogação
Enfim, a apoteose. Porro cruza da direita. Nico ganha no alto de Medina e Ferran Torres emenda de primeira. Gol. Espanha 1 a 0 Argentina. Era a 20ª finalização espanhola a gol contra zero argentina.
Não havia mais nada a fazer. Argentina tinha de se entregar ao coração. Entrega total. E rezar para Messi resolver nos minutos agônicos e finais.
Messi aparece. Cria situações de gol. Consegue escanteios e assombra até então a soberana Espanha. Argentinos no sangue. Não deu.
Espanha campeã da Copa do Mundo 2026. Bicampeã, 2010 e 2026.
Acaba a Copa. A última dança de Lionel Messi nessa história. Uma Copa a ser recordada por seus feitos e glórias, mesmo sem ter sua assinatura na última pintura. Suas lágrimas dizem tudo.

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