Fifa supera crise de corrupção, expande Copa do Mundo e seus negócios bilionários

Fifa é tradução de dinheiro. Sai presidente, entra presidente e a história não muda. Alguns são afastados por corrupção, outros algemados, uns alijados do poder por embolsar dinheiro alheio. Tudo continua como se nada tivesse acontecido. Nessa ciranda a busca constante por mais grana vem da Copa do Mundo, o maior negócio do esporte de que se tem história. Receitas de uma Copa hoje não ficam abaixo dos R$ 10 bilhões. Por isso a Fifa anunciou nesta terça-feira o inchaço do Mundial de 2026 com 48 seleções – contra 32 que teremos na Rússia em 2018 e no Catar, 202

Com mais 16 seleções no grid da Copa, as receitas tendem alcançar o patamar de R$ 12,8 bilhões. Quem são os candidatos mais fortes a sediar o evento? Estados Unidos e China. Alguém tinha alguma dúvida.

Gianni Infantino, suíço herdeiro do espólio de Joseph Blatter na presidência da Fifa, deu essa tacada e seus súditos assinaram embaixo. Ampliando o leque de seleções na Copa, Infantino agrada aos países periféricos do futebol e os com mais poder financeiro.

A conta é simples. Continentes como África e Ásia, por exemplo, ganham mais vagas no Mundial. Portanto, seleções de pouca expressão têm mais chance de se classificar e desfrutar da Copa, tanto com o futebol em si como também com o aporte financeiro que recebem da Fifa.

Infantino não é o primeiro presidente da Fifa a inchar a Copa. João Havelange, no trono do futebol de 1974 a 1998, pegou a Copa com 16 seleções e passou a 24 em 1982 no Mundial da Espanha. Em 1998 na França, pulou para 32. Blatter, mandatário de 1998 a 2014, sustentou os 32 times, mas mexeu na cota dos continentes.

Em 1982, ano do grande salto no número de participantes de uma Copa, a Fifa tinha 109 países filiados, quase cem a mais que 50 anos atrás. Em 98, ao passar para 32 seleções, os países filiados eram 174. No Mundial de 2002 (Coreia do Sul e Japão), 200 países estavam abrigados no guarda-chuva da Fifa. E hoje já são 211.

Apenas como registro histórico, Havelange morreu ano passado banido da Fifa. Blatter continua vivo, mas banido da Fifa também. Os dois se meteram em corrupção no futebol.

Voltamos a Infantino. Para abrir mais espaço aos filiados, a Fifa amplia agora de 32 a 48 o número de seleções na Copa de 2026. Assim, dos 64 jogos que tínhamos em um mês de competição, teremos 80 partidas no mesmo período. Os grupos, antes com quatro seleções, terão três times. Eram 8 chaves, agora serão 16.

Essas mudanças obrigam a Fifa a rever questões técnicas como acabar, por exemplo, com os empates na primeira fase. Estuda ainda eliminar as prorrogações na fase de mata-mata até chegarmos às semifinais. Ou seja, a Copa terá outra cara.

Onde enfiar tantas seleções? Aí entra o poder da grana. A Fifa vai exigir 12 estádios, no mínimo, aos candidatos a sediar o Mundial. Estádios são a tradução de mais dinheiro em caixa. Mais jogos, mais receitas de marketing e venda de direitos de televisão.

Com o inchaço, as Eliminatórias serão esvaziadas. América do Sul, hoje com cinco vagas e a possibilidade de uma sexta com a disputa na repescagem, passa a ter seis vagas fixas e uma eventual sétima na repescagem. Ou seja, de 10 seleções sul-americanas que disputam as Eliminatórias, apenas três ficariam fora da Copa.

Nos outros continentes, a mesma situação. Ao ampliar o número de vagas, a China, que sofre para se classificar, teria vida fácil nas Eliminatórias asiáticas e seria figurinha carimbada em todos Mundiais a partir de 2026. Assim por diante na África, Américas e Oceania.

E com mais gente envolvida na corrida pela Copa, mais cifrões vão brilhar nos olhos dos cartolas da Fifa e engordar os cofres…. ou os bolsos, como queiram.

 

Veja gráfico publicado pelo El País, da Espanha, com a evolução do número de seleções em cada uma das Copas do Mundo:

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