Pedrinho, Marquinhos e Carlinhos, Corinthians e sua fábrica de campeões

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Carlinhos e Pedrinho, dupla de ouro do Corinthians – Foto: Agência Corinthians

Dez vezes Corinthians na Copa São Paulo de Juniores, em 18 finais. Não é para qualquer um. Levantar a taça da Copinha virou uma doce rotina. A décima chegou com a vitória por 2 a 1 contra o surpreendente Batatais nesta quarta-feira (25/1). A cada título, uma fornada de bons e ótimos meninos de talento. Nesta edição de 2017, surgiu a geração dos “inhos”. Diminutivo nos nomes, aumentativo no talento. Carlinhos, 19 anos, o centroavante grandalhão, Pedrinho, 18, o meia com pinta de craque, Marquinhos, 18, outro meia dos gols decisivos. Esse trio dos “inhos” e mais Mantuan e Fabricio Oya têm tudo para fazer carreira no time de cima, desde que, claro, os cartolas não coloquem obstáculos como de costume.

Maior problema do Corinthians é não dar esperança aos meninos. Eles são diplomados na Copinha e, na hora de entrar na faculdade do futebol, a maioria fica no meio do caminho. Dirigentes alegam que, por eles terem direitos econômicos fatiados, o clube têm pouco retorno com os garotos. Tradução: na hora de fazer caixa, sobra quase nada aos cofres do clube. Daí o pouco interesse em promover e dar guarida a esses garotos.

Diante dessa perspectiva mercantilista, Carlinhos, Pedrinho e Marquinhos poderiam desistir de sonhar. Mas pesa a favor deles o fato de o Corinthians agora ser dono da maior porcentagem dos direitos dessa geração, em média 80%. E mais: sem grana a limitar os investimentos em cobras criadas, promete dar mais atenção aos seus meninos. É uma promessa.

Outra esperança dos garotos passa por Osmar Loss, treinador deles e campeão nesta quarta-feira. Ele vai ser o auxiliar de Fabio Carille, técnico do time profissional. Com Loss por perto, se sentirão mais seguros e confiantes a jogar a bola que mostraram na Copinha.

Carlinhos, Pedrinho e Marquinhos não querem ser esquecidos, como muitos de seus antecessores que não vingaram e ainda perambulam por clubes menores e aparecem apenas em pôsteres de campeões do Corinthians.

GERSINHO, UM VENCEDOR
Do outro lado da história, aparece o goleiro do Batatais. Gordinho, de pouca estatura para posição, esse menino tem uma bela história de superação. Em 2015, quando sonhava em fazer carreira, sua irmã mais velha morreu em um acidente automobilístico. Abalado com a morte da irmã e com obrigação a ajudar em casa, parou com o futebol e foi trabalhar com sua mãe. A bola ficara no sonho.

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De repente, o Batatais faz um convite às pressas a Gerson para defender o time na Copinha, a dois meses do início do torneio. O garoto conversa com a mãe e volta a calçar as luvas de goleiro. Entra na competição com um time considerado um azarão. Inspirado na irmã e sempre dizendo que ela o iluminava, pegou um pênalti atrás do outro até levar o Batatais à semifinal contra o Paulista. E aí começa outra história inusitada na vida de Gerson.

Paulista goleia Batatais por 5 a 1 e se credencia à final. Sonho de Gerson ser campeão estava  interrompido. Acontece que o infeliz do Brendon, jogador do Paulista, se fez de “gato” e o clube de Jundiaí perdeu o direito de fazer a final com o Corinthians. O Batatais ficou com a vaga e Gersinho, como é conhecido, teve mais uma chance.

Não seria nada fácil conquistar o título em cima do Corinthians no Pacaembu lotado. De fato, não deu. Tristeza? Nada disso, Gersinho foi eleito ao lado de Pedrinho, o melhor jogador da Copinha. Saiu do estádio como um vencedor. Veja o que ele disse ao final da partida:

“Pelo amor de Deus, para um cara que tinha parado de jogar bola e está saindo como o melhor da Copa São Paulo, não tem jeito de não ficar feliz. É muita alegria, agradeço minha irmã lá em cima, que sem ela nada disso teria acontecido”

“Queria falar uma outra coisa também, antigamente eu via minha mãe chorando em uma cama, dizendo que queria se matar, hoje eu chego ali no alambrado e ela igual louca com um sorriso de orelha a orelha. Deixa o primeiro lugar para lá, para mim esse é o primeiro lugar da vida: a família. Troféu, medalha, é bom, é bem legal ganhar, mas não é mais importante do que o sorriso de uma mãe.”

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