Brasil pulveriza Coreia do Sul e se rende a Pelé

Brasil vence Coreia por 4 a 1 – foto: CBF oficial

Brasil vence Coreia do Sul na emoção das homenagens ao Rei. Ao fim do jogo, com a vitória por 4 a 1 com grife do futebol brasileiro, e samba quente no som alarmante do estádio 974, jogadores abrem a faixa: Pelé! Emocionante.

Justa homenagem a Pelé, que enfrenta problema grave de saúde no hospital em São Paulo. Nada melhor homenagear o Rei com gols, gols de patente do futebol pentacampeão do mundo.

O primeiro tempo foi digno de galeria da Seleção Brasileira. Abre quatro gols de vantagem, sem esforço. E jogando bem.

Avalanche começa logo aos 7 minutos. Casemiro e Raphinha entram em sintonia na direita. Raphinha cruza, Paquetá e Richarlison não alcançam a bola. Ela convoca Vini Jr ao chute. Frio, garoto tem de tempo de dominar e escolher onde colocar a bola. Brasil 1 a 0.

Coreanos se esqueciam de Vini. Atentos aos movimentos de Neymar, abandonam o ponta-esquerda do Real Madri.

Neymar, não. Procura Vini em mais um ataque. Bola escapa de Vini. Richarlison aparece como um foguete e sofre pênalti. Neymar, sereno, bate e marca. Brasil  2 a 0 , aos 13.

Neymar dança com os companheiros e depois vai abraçar Alex Telles, cortado da Copa por lesão no joelho. Acomodado em uma cadeira à beira do campo, Telles recebe abraço de Neymar, que também passou por maus-bocados ao avariar tornozelo no primeiro jogo do Brasil na Copa.

Dois gols de vantagem, Brasil absoluto. Era de dar dó ver coreanos em pânico, desentendidos, à procura de uma saída menos humilhante. Técnico português Paulo Bento, incrédulo, não tinha palavras nem voz de comando para reorganizar a Coreia do Sul.

E o melhor estava por vir. Aos 29, Richarlison aproveita vacilo da zaga coreana, penteia a bola na cabeça, toca para Marquinhos, que serve Thiago Silva. De zagueiro para zagueiro. Passe até Richarlison e gol. Gol de marca registrada do Brasil.

Richarlison chama Tite à dança do Pombo na celebração do gol. Tite baila.

Se 2 a 0 era um assombro e um Deus nos acuda aos coreanos, 3 a 0 era a pá de cal. Mas eles não desistiram e obrigaram Alisson a bela defesa para esquentar os músculos e colocar os reflexos em dia. Ficou nisso.

Brasil, sim, queria mais. Aos 36, Neymar lança Vini, solto como um pipa. Vini cruza alto. Paquetá entra na grande área emendando de Primera. Brasil 4 a 0. Fatura paga e liquidada, sem desconto.

Esperava-se por Neymar não voltar do intervalo. Cautela contra um novo infortúnio. Craque vinha de oito dias de recuperação no tornozelo avariado. Um novo acidente poderia custar caro.

Tite não pensa que a sorte pode dar azar. Arrisca. Mantém Neymar no jogo. Discreto, passos lentos, sem dividir um lance, sem insistir nos dribles, o craque  do time fica ao sabor das ondas, não luta contra a maré alta.

Sem participação efetiva de Neymar, apenas como isca a chamar atenção dos marcadores, Brasil balança com Raphinha e Richarlison. E Raphinha enfileira três boas oportunidades de gol, todas desperdiçadas em chutes de criança na bola.

Coreia adianta pouco sua armada em busca de amenizar o vexame. Mas não chega a mudar a cotação do dólar. Tudo na mesma.

Tite então inicia a gestão econômica de poupar peças importantes. Primeiro a sair é Eder Militão, pendurado em cartão amarelo. Dani Alves entra. Depois, saem Danilo, improvisado na lateral-esquerda e voltando de lesão, e Vini. Entram Bremer, de lateral, e Martinelli na ponta.

Brasil afrouxa a corda, coreanos abrem um pouco laço no pescoço e respiram. Seuncho acerta chute pesado de fora da área, bola desvia na zaga. Coreia chega ao primeiro gol. Alisson já havia feito algumas boas defesas.

Tite troca goleiro Alisson por Weverton, do Palmeiras, e, enfim, tira Neymar da arena dos leões. Rodrygo ganha outra oportunidade de substituir o craque. O jogo era em ritmo de treino. Sobrava tempo e espaço para algumas jogadas de efeito.

O ensaio foi até os 94 minutos. Tempo para torcida pouco festeira celebrar a vitória e a classificação às quartas de final. Tempo de os jogadores abrirem a faixa singela e poderosa: Pelé! com a foto do Rei. Brasil está de volta. Que venha a Croácia.