Como funciona a máquina do Palmeiras de revelar e vender jogadores, os efeitos no mercado internacional e Seleção Brasileira

Campeão da Copa do Brasil Sub-17 em 2022, com Estevão, Endrick e outros

Luiz Antônio Prósperi – 25 agosto 2026 (16h15)

Palmeiras já ultrapassa a cifra de R$ 2,5 bilhões na venda de jogadores criados na base do clube nos últimos dez anos. Recorte mais atual, de 2023 até 2026, os valores superam a casa de R$ 1,5 bilhão. A recente venda de Allan ao Manchester City, por R$ 240 milhões, é o exemplo mais real de como funciona a máquina do Palmeiras de criar e vender jogadores das categorias de base. E os efeitos a curto prazo no mercado internacional do futebol e na Seleção Brasileira.

O processo começa na gestão do presidente Paulo Nobre (2013 a 2016). É o início de uma revolução nas categorias e base. O investimento seria alto. E dá um salto com a contratação de João Paulo Sampaio, coordenador da base do Vitória (BA), em março de 2015.

Sampaio reorganiza a casa. Nobre passa a investir pesado na infra-estrutura de centros de treinamentos e orçamento com aportes que no futuro atingiriam R$ 30 milhões (valores a partir de 2024) por ano.

Sampaio monta uma linha auxiliar de captadores de talento e de promessas visando clubes concorrentes e disponíveis nas escolinhas e na várzea país afora. Aparelha o centro de treinamentos.

E começa a captar meninos de 10 a 16 anos. Mais tarde, de 10 a 18 anos.

Promoção dos meninos

Em novembro de 2019, poucos dias antes de ser demitido do cargo de diretor executivo de futebol do Palmeiras, Alexandre Mattos anuncia a promoção de meninos da base para o profissional: Gabriel Menino, Patrick de Paula, Gabriel Veron, Lucas Esteves, Wesley, Artur (emprestado ao Bahia). Era a grande virada.

Paulo Nobre não era mais o presidente. Mauricio Galiotte, sucessor de Nobre, demite Alexandre Mattos e o técnico Mano Menezes em dezembro de 2019. Em janeiro, anuncia Vanderley Luxemburgo que teria atribuição de promover os meninos da base a partir de 2020.

Famoso por revelar jovens jogadores em todos os clubes em que passou, Luxemburgo aceita a missão e passa a olhar com mais critério os jovens da base.

E pede para o volante Danilo (hoje no Botafogo) subir da base para o profissional. Danilo não estava entre os que haviam sido promovidos antes de Luxemburgo assumir.

Luxemburgo é campeão paulista em 2020 com um time recheado de garotos: Danilo, Gabriel Menino, Patrick de Paula, Wesley, Veron.

Meninos começam a se valorizar. Ganho esportivo no campo e nas finanças do clube.

Chegada de Abel Ferreira

Em outubro de 2020, Galiotte troca Luxemburgo por Abel Ferreira, até então um treinador português desconhecido no mercado brasileiro e com alguma fama de promover e desenvolver garotos da base.

Enquanto isso, João Paulo Sampaio aparelha ainda mais as categorias de base aumentando investimentos na captação de talentos e melhorias no CT.

Abel Ferreira assume o Palmeiras, aceita o projeto de investir nos meninos e começa a desenvolver um novo processo de gestão do futebol.

Sampaio passa a qualificar ainda mais a formação de treinadores do Sub-11, Sub-13, Sub-15, Sub-17 e Sub-20. Busca nomes promissores no mercado e oferece uma infra-estrutura que poucos clubes têm no Brasil.

Esses novos treinadores da base passam a se destacar e a conquistar um título atrás do outro em todas categorias.

Palmeiras contabiliza mais de 150 títulos conquistados em todas categorias de base, entre 2015 e 2023

Encerrado o mandato de Galiotte, assume Leila Pereira. E uma das obrigações da nova gestão sob comando de Leila seria sustentar o modelo implantado por Paulo Nobre e aprimorado por Galiotte: investimento pesado nas categorias de base, captação de novos talentos, qualificação de profissionais da área e alimentar o time profissional com as famosas Crias da Academia.

Allan de saída do Palmeiras – foto: Palmeiras oficial

Exportação em alta

E o Palmeiras passa a exportar mais talentos. Começa em 2016 com Nobre vendendo Gabriel Jesus ao Manchester City a pedido de Pep Guardiola.

Alavanca com Danilo ao Nottingham Forest, entre outros a mercados secundários da Europa.

E chegamos em Endrick, Estevão, Vitor Reis e outros menos badalados, como Kevin, Luis Guilherme, Giovanne. Agora o Allan, o mais recente.

Entram nessa ciranda as vendas de Wesley, Gabriel Veron, Alan Patrick, Lucas Esteves, Fernando.

Tarefas de Abel

Nessa toada, em todo início de temporada, Abel Ferreira tem de subir no mínimo seis jogadores da base para fazer parte do grupo de jogadores do time de cima, os profissionais.

E não se trata apenas de subir. Abel tem de desenvolver os garotos, lapidar as joias, até que estejam prontos a servir seu time principal ou abastecer o mercado do futebol. Exemplo: John John, vendido ao Red Bull Bragantino e hoje no Zenit da Rússia.

Assim tem sido desde 2021.

Meninos do Palmeiras  – foto: X Crias da Academia

Efeito na Seleção Brasileira

Não pensem que o Palmeiras apenas revela craques e jogadores talentosos. A “máquina” de produzir treinadores da base também continua em movimento.

Anote aí:

Paulo Victor Gomes, o PV, formado no Palmeiras e campeão de tudo na base Alviverde, é o atual técnico da Seleção Brasileira Sub-20. Seu auxiliar número 1 é Lucas Andrade, que se destacou no Sub-17 e Sub-20 do Palmeiras até o início de 2026.

Artur Itiro, consagrado no Sub-17 do Palmeiras com vários títulos conquistados, assumiu em julho a Seleção Brasileira Sub-18 criada nesta temporada para servir de transição dos jogadores da Sub-17 para Sub-20.

Engrenagem da Máquina Palmeiras

Aí está todo o processo:

Investir pesado nas categorias de base, na captação, formação e desenvolvimento de meninos e até em jovens de 20 anos. Equipar cada vez mais o centro de treinamentos dos garotos.

Abastecer o time de Abel Ferreira com safra de jovens com alto potencial a serem desenvolvidos no profissional pelo técnico e fortalecer o grupo em busca de ganhos esportivos.

Atender às demandas do mercado internacional e nacional valorizando as Crias da Academia.

E garantir o certificado de “produto de qualidade” na revelação de garotos.

Não é por acaso que Manchester City, Real Madrid, Chelsea, entre outras potências do futebol europeu, procuram o Palmeiras e pagam o que o clube pede por suas crias. Sabem que o trabalho com os meninos é bem feito.

A venda de Allan ao City é a sinopse, a tradução perfeita de todo esse processo.

A fonte inesgotável de receitas ao clube.


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