Luiz Antônio Prósperi – 22 novembro 2025 (12h59) –
Tite, 64 anos, anuncia a volta ao futebol após mais de um ano cuidando de sua saúde. Em breve comunicado nas redes sociais, o técnico da Seleção Brasileira se coloca à disposição do mercado. Evidente que a notícia mexe com a torcida do Corinthians e atiça clubes em dificuldades nesse fim de temporada 2025 a pensar no treinador do Brasil nas duas últimas Copas do Mundo (2108 e 2022) e do recente fracasso no Flamengo entre outubro de 2023 a setembro de 2024.
“Voltei! Cuidei de mim, fiquei com a minha família e estou pronto para retornar às atividades como técnico. Muito obrigado aos que torceram pela minha recuperação, respeitaram meu tempo e me mandaram mensagens, orações e bons pensamentos. Com carinho, um grato abraço a todos – Adenor Leonardo Bachi.”
O mais importante impacto do comunicado de Tite é a recuperação de sua saúde. Antes de se falar de seu próximo passo, cabe a reflexão do quanto o futebol tritura até mesmo os que parecem indestrutíveis.
Tite era um porto seguro.
Dono de um equilíbrio mental não muito comum aos treinadores brasileiros.
Não se via rompantes nem embates mais acirrados com jogadores, dirigentes e mídia em geral.
Muitas vezes caminhava como um sacerdote.
Inventava palavras e expressões a traduzir seu entendimento do que era futebol.
Mas a conta vem pesada.
Duas traulitadas nas Copas do Mundo em que se viu mais refém de Neymar a valer suas ideias. E uma volta açodada ao jogo em outubro de 2023 interrompendo um período sabático que ele mesmo se impôs após a debacle no Mundial do Catar em dezembro de 2022. Eis o boleto que Tite teria de pagar. O técnico não tinha mais recursos mentais a quitar essa dívida. Sai de cena.
Tudo muito compreensível. O futebol tem de aceitar. Agora, um novo mundo.
“Estou pronto para retornar às atividades como técnico”, escreve Tite. Cabe ao mercado lhe oferecer as condições da volta.
De imediato se pensa no Corinthians, ainda sem convencer sob comando de Dorival Junior. Seria o caminho natural de Tite não fosse a completa falência de gestão do clube.
O que Tite poderia fazer no Corinthians em 2026? Nada.
No Santos, onde alguns de seus pares ainda trabalham? Pode ser uma alternativa desde que o time não seja rebaixado à Série B.
Aliás, o Santos caminha cada vez mais para ser de Neymar Pai e Neymar Filho em futuro breve.
Se assim for, Tite reencontraria com o jogador em que se viu refém de 2016 a 2022. Vale a pena o sacrifício no momento em que ele acaba de anunciar: “Cuidei de mim”?





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