Luiz Antônio Prósperi – 2 agosto 2025 (09h45) –
A noite, ou melhor, a madrugada de 31 de julho de 2025, não foi de um sono qualquer ao senhor Wilton Pereira Sampaio, 43 anos, nascido em Teresina de Goiás. Antes de adormecer, por sua mente passam cenas da noite anterior, o dia 30. Bem antes de tudo acontecer, no carro em que se dirigia ao templo do Corinthians, muito pavor. Multidão ignara a abalroar o veículo nas proximidades da arena. “Apita direito”. “Não vai roubar o Corinthians”. Tapas na janela de vidro. Ficção. Não se sabe se foi bem assim. No campo, quase cem minutos de tensão clássica de um árbitro em um clássico de futebol, mesmo sustentando uma falsa galhardia. E, crucial, ao aceitar a imposição do VAR e anular gol para lá de legítimo do Palmeiras, aos 37 minutos do segundo tempo. Seria o 1 a 1 no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. VAR diz não. Cabe a Wilton levantar a mão esquerda palmada e…. prriiiuuuuu. Impedimento do senhor Gustavo Gomes! Gol do Palmeiras não vale. Jogo acaba pouco depois. Corinthians vence. Wilton desaparece da cena mergulhado nos vestiários da arbitragem na arena.
E depois?
Bom, se tem notícia de que ele e sua equipe foram levados ao hotel em que estavam hospedados na capital paulista bem distante da Neo Química Arena em Itaquera. Bem provável que ele e seus pares de apito jantaram juntos. Até que cada um se retirasse a seu quarto. Então, foram dormir.
Aí vem a questão: Sr Wilton adormeceu rápido?
Se, sim, tudo bem.
Se, não, a interrogação: estaria tomado pela solidão?
Será que eu errei?
O VAR me sacaneou?
Gol legítimo do Palmeiras?
Esqueça. Vou dormir o sono dos justos mesmo com a sensação dos injustos.
Pode ser. Mas, por alguns instantes eternos ou não, Sr Wilton Pereira Sampaio se sentiu sozinho. A solidão inimiga na hora mais difícil, a da reflexão por atos cometidos.
O certo é que o árbitro dormiu.
Todos dormiram depois da noite de 30 de julho e madrugada de 31 de julho de 2025.
Desconfia-se que a solidão também tenha tirado o sono de Gustavo Gomez.
Caramba, cometo o pênalti, Weverton defende. Não subo com o Mempnhis e o desgraçado do holandês faz o gol de cabeça. Me redimo passando de cabeça para o Maurício empatar. Gol nosso. E o VAR não me deixa dormir. Argh!
Abel Ferreira não dorme também sem se sentir sozinho. Raios de VAR é esse que sempre nos derrota em jogos como esse contra o Corinthians? Estou desiludido. Triste.
Solidão da caravela no mar aberto.
Quarta-feira que vem, dia 6 de agosto 2025, tem mais. Allianz Parque recebe o jogo da volta entre Palmeiras e Corinthians valendo vaga às quartas de final da Copa do Brasil. A vantagem é do Corinthians, vencedor do primeiro embate por 1 a 0.
Ao fim do prélio, madrugada adentro do dia 7, teremos a certeza de que alguém vai se sentir sozinho. E não será o Sr Wilton Pereira Sampaio.





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