Luiz Antônio Prósperi – 6 agosto 2025 (13h05) –
Palmeiras e Corinthians é mais que um jogo de futebol. A frase do personagem de Lima Duarte, no filme “Boleiros” de Ugo Giorgetti de 1998, explica bem o que significa o clássico paulista. “Minha Senhora, a senhora sabe o que é um Corinthians e Palmeiras?”. Seria bom rever o filme do grande cineasta e colunista Giorgetti antes do jogo nesta quarta-feira (06/8) no Allianz Parque. Seria nostálgico e um jeito didático de rever a história. E paramos por aí na vã tentativa de entender o que é um Palmeiras e Corinthians hoje em dia.
O clássico é o mesmo. A rivalidade, idem. Protagonistas, não. Veja, por exemplo, quais jogadores foram escalados por seus clubes para falar do jogo na véspera do confronto nas TVs oficiais de Palmeiras e Corinthians.
Do lado do Palmeiras, o atacante paraguaio Ramón Sosa recém-chegado ao clube. No idioma de seu país, falando como uma metralhadora, Sosa dá a sua versão a respeito do que é um Palmeiras e Corinthians. Surreal.
Do lado do Corinthians, o atacante holandês Memphis Depay há menos de um ano no futebol brasileiro. No idioma inglês, falando sereno, Memphis explica o sentimento dos jogadores corintianos pré-Palmeiras x Corinthians. Bizarro.
Um paraguaio que pouco conhece da cultura do nosso futebol e um holandês que ainda não tem uma noção histórica e emocional do que é um Palmeiras x Corinthians.
Dois estrangeiros que, muito provavelmente, não assistiram ao épico “Boleiros” de Ugo Giorgetti.
Aliás, os estrangeiros têm influência decisiva no clássico de hoje. Confira as escalações:
Palmeiras: Weverton (brasileiro), Giay (argentino), Gustavo Gomes (paraguaio), Micael (brasileiro) e Piquerez (uruguaio); Aníbal Moreno (argentino), Lucas Evangelista (brasileiro) e Maurício (brasileiro); Facundo Torres (uruguaio), Vitor Roques (brasileiro) e Ramón Sosa (paraguaio). Técnico: Abel Ferreira (português) – sete gringos e cinco brasileiros.
reservas gringos: Emiliano Martinez (uruguaio), Flaco Lopez (argentino).
Corinthians: Hugo Sousa (brasileiro), Matheusinho (brasileiro), André Carvalho (brasileiro), Gustavo Henrique (brasileiro) e Bidu (brasileiro); Raniele (brasileiro), Martinez (venezuelano) e Carrillo (peruano); Rodrigo Garro (argentino), Memphis Depay (holandês) e Yuri Alberto (brasileiro). Técnico: Dorival Junior (Brasileiro) – oito brasileiros e quatro gringos.
reservas gringos: Felix Torres (equatoriano), Angileri (argentino), Romero (paraguaio), Hernandez (espanhol).
Neste cenário multicultural é até difícil exigir dos protagonistas, jogadores e comissões técnicas a tradução perfeita do que é um Palmeiras x Corinthians.
Enquanto isso, torcedores dos dois lados botam gasolina na fogueira da rivalidade. Sofrem à beça. Recorrem às mandingas e superstições. Perdem o sono. Perdem dinheiro em apostas. Aguardam o dia seguinte para vestir a camisa de seu clube e desfilar garboso nas ruas, locais de trabalho e botequins da vida, claro, se seu time for o vencedor.
A mídia sopra o fogo como malabaristas das labaredas. Recorre às surradas estatísticas como se números fossem determinantes na projeção de um jogo de futebol.
E para encurtar o enredo, ainda tem o tal do VAR, arbitragem eletrônica como se fosse o segundo apitador do jogo e a palavra final.
O clássico por si só, sem muita gente entender o que é um Palmeiras e Corinthians, deve ser crispado, tenso e de alta voltagem.
Vai ver que foi por isso que a CBF escalou o árbitro Anderson Daronco, aquele juiz fortão, para tomar conta da rapaziada.
Ah, tem mais. Não é uma final de campeonato, decisão de título. Trata-se de um jogo para ver quem avança apenas às quartas de final da Copa do Brasil.
E La Nave Va.





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