Luiz Antonio Prósperi – 31 outubro 2025 (12h19) –

Raphael Veiga olha ao céu escuro da noite, prende a respiração e parte em quatro passos rápidos até chutar a bola com certo requinte na marca do pênalti e decretar os 4 a 0 do Palmeiras em cima da LDU. Gol da classificação à final da Libertadores. Gol do epílogo de uma semana a entrar na história do futebol brasileiro. Gol de Abel Ferreira. Aliás, desfrutem das ideias de Abel. Por acaso do destino, recebemos um técnico do outro lado do Atlântico com alguns conceitos e práticas inéditas no mundo da bola nos trópicos. É preciso aprender com Abel. Em vez de execrar seu comportamento irascível, que tal vasculhar seu cérebro em busca do futebol? Há muitos ensinamentos ali. A remontada do Palmeiras nas semifinais da Libertadores está aí para ser estudada. Procurem entender como o treinador construiu essa epopéia.

“Porque eu sou o treinador, mas quem treina o treinador? Eu passo energia aos meus jogadores, quem passa energia para mim?” Pergunta Abel na coletiva de imprensa uma hora depois daquela que ele chamou de a “noite mágica no Allianz Parque”. Eis aí mais um tema a ser decifrado aos que gostam de futebol, sem fazer do clubismo e das vaidades pessoais o mantra do trabalho jornalístico esportivo.

Abel contou que nos últimos dias, quando ia deitar-se para dormir, deixava um bloco de anotações à beira da cama. A cada plano de jogo que lhe vinha à mente, dava um pulo da cama e anotava no bloquinho. E depois, logo de manhã, apresentava a seus auxiliares de comissão técnica se o plano seria ou não viável. Fez isso até chegar à estratégia definitiva que proporcionou a virada extraordinária do Palmeiras contra a LDU em comunhão quase nunca vista com a torcida no Allianz Parque.

Abel Ferreira completa cinco anos de Palmeiras. Já escreveu um livro sobre suas façanhas no Alviverde e como ele enxerga o futebol com direito a sugestões de melhorias ao futebol brasileiro. E tem muito ainda a ser desvendado.

Gustavo Gomez e o recado de Abel Ferreira
Gustavo Gomez com o recado de Abel – foto: Palmeiras oficial

Agora a conversa é com o Flamengo, outra potência do futebol do Brasil. E aqui, mais uma recomendação: tratem essa final da Libertadores, dia 29 de novembro, em Lima, Peru, como uma final de Champions League. Temos ingredientes de sobra e histórias saborosas a contar dessa grande decisão. Dois clubes de gestões exemplares e, por tabela, de alto investimento e  receitas fabulosas.

E, por fim, imaginem como seria o nosso futebol se Corinthians, São Paulo, Santos, Fluminense,Vasco, Botafogo, Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Internacional e expoentes como Bahia, Vitória, Fortaleza, Ceará, Sport da região Nordeste, todos esses clubes tivessem um terço da seriedade e qualidade de gestão de Palmeiras e Flamengo. Seríamos uma potência. Pensem nisso.

Quem sabe não teríamos mais treinadores aqui como Abel Ferreira. E a respiração presa em três segundos de Rapahel Veiga na hora de um pênalti decisivo seria um ato de celebração do futebol.

Raphael Veiga decisivo – Palmeiras 4 x 0 LDU
Raphael Veiga resolve Palmeiras 4 x 0 LDU – foto: Palmeiras oficial

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