Luiz Antônio Prósperi – 17 março 2026 (11h44) –

“Tenho dúvidas na defesa, tenho dúvidas no meio-campo e quase nenhuma dúvida no ataque”, responde Carlo Ancelotti no ato da convocação da Seleção Brasileira para amistosos contra França e Croácia no fim deste mês de março. Mais claro, impossível. Ancelotti apresenta a lista de 26 jogadores e nos leva a entender que temos mais incertezas a certezas de quem o italiano vai levar à Copa do Mundo de Donald Trump e Gianni Infantino. E ainda deixa sem solução o Caso Neymar.

Dos 26 convocados nesta segunda-feira (16/3), sete atuam em ligas da Arábia Saudita, Turquia e da Rússia. Alguns deles figurinhas carimbadas, como o goleiro Ederson (Fenerbahcçe) e Fabinho (Al Itthad), que já disputaram Copas do Mundo. Outros de pouca fama, Douglas Santos (Zenit), Ibañez (Al Ahli), Gabriel Sara (Galatasaray), Bento (Al Nassr) e até Luiz Henrique, campeão da Libertadores e Brasileirão no Botafogo, coadjuvante no Zenit da Rússia.

Os sete eleitos se configuram apostas ousadas de Ancelotti diante do nível de exigências das ligas em que atuam. Num tempo remoto, a Seleção Brasileira não poderia ter tanta gente de campeonatos da Arábia, Rússia e Turquia. Como houve uma expansão do universo da bola, então vamos aceitar as novidades do treinador italiano do Brasil.

Às dúvidas de Ancelotti na defesa, somo uma aflição. Laterais Danilo e Alex Sandro, ambos do Flamengo, estiveram na última Copa do Mundo. Deram mais dores de cabeça a Tite à soluções. Há quatro anos apresentavam problemas no porte físico. Quatro anos depois, parece, estão mais desgastados.

E não ficamos apenas em Danilo e Alex Sandro. Eder Militão, não convocado agora e nome certo na Copa, tem um histórico recente de lesões incompatíveis com as exigências de uma Copa do Mundo.

Tudo isso no balaio, mais ainda experiências com Ibañez na reta final de fechamento da lista de convocados, nos obriga a concordar com Ancelotti: temos muitas dúvidas na defesa.

Meio-campo é outra preocupação. A situação é grave. Há muito tempo não temos meias cerebrais, aqueles que usam mais a cabeça aos músculos. Nossos meias e volantes são físicos. Podem até funcionar numa Copa do Mundo de enormes exigências físicas a se jogar sob calor absurdo, baixa umidade e horários de pico do verão americano.

Aí está o segredo dessa Copa nos Estados Unidos. Quem pensa em título tem de se dedicar às condições físicas dos jogadores. Só talento não resolve. É por isso que Ancelotti insiste: “Jogadores para ir à Copa precisam de estar com o físico 100%”. Na linguagem da bola: estarem nas pontas dos cascos.

Não custa nada recorrer aos ensinamentos de Carlos Alberto Parreira. Ao perceber que a Copa seria jogada ao meio-dia, calor absurdo, quase dentro de um microondas, Parreira robustece o meio-campo com volantes físicos: Dunga, Mauro Silva e Mazinho ajudados por Zinho, um dínamo. Carregavam a carga pesada nas costas para Bebeto e Romário tomarem água fresca. E o Brasil conquista o Tetra.

A respeito do Caso Neymar, conversaremos mais tarde.

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