Luiz Antônio Prósperi – 18 março 2026 (11h55) –
O Caso Neymar torra a paciência de Carlo Ancelotti. Técnico italiano da Seleção Brasileira tem duras tarefas a cumprir antes mesmo de lidar com Neymar. Aliás, perda de tempo total. Mais que encontrar jogadores para robustecer a defesa e encorpar o meio de campo, setores carentes e indefinidos no escrete, Ancelotti precisa criar mentalidade de Seleção Brasileira na turma. Tirar a camisa de clubes da maioria deles e jogar a responsabilidade de ser jogador de Seleção. Fazer entender que Neymar não é mais, infelizmente, referência de ninguém. E o primeiro da lista é Vini Jr. Histórico curto de Vini na Seleção não é fantástico. Exibições minguadas, muita irritação e cartões amarelos desnecessários, e raros gols importantes. Copa do Mundo não é para bailar, nem fazer chororô aos rivais e ironizar adversários. Melhor é jogar bola.
Acontece que boa parte dessa atual Seleção tem Neymar como ídolo e o topo da montanha. Todos dessa geração queriam e ainda querem ser Neymar. Muito por Neymar ser a estrela solitária do futebol brasileiro nos últimos 20 anos. Ponto nevrálgico da Seleção nas últimas três Copas do Mundo (2014, 18 e 22). Em nenhuma das três, seja por infortúnios físicos ou bola mesmo, Neymar acendeu a luz do Brasil.
Apesar da pouca relevância nas Copas, Neymar dita moda. Seus súditos no campo passaram a encarnar o estilo Neymar de ser. Celebridade, perda de tempo nas redes sociais, ostentação e “vítima do tal sistema” do futebol. Parece, Neymar não tem culpa de nada. E os nossos jovens boleiros encampam essas ideias. Um desperdício de tempo e de talento.
As referência de grandes craques consagrados na Seleção, diz a história, eram mais dignas. Geração de Zico e Sócrates tinha Pelé, Rivellino, Tostão, entre outros, como fonte de inspiração. Geração de Romário e Ronaldo Fenômeno mirava Zico, Roberto Dinamite, Sócrates, Falcão, Careca. Depois, Kaká, Robinho, Adriano e outros se olhavam no espelho de Ronaldo Fenômeno, Romário.
E a geração de Neymar se sentiu livre para não ter referência. Seriam eles o Olimpo do futebol. Como se o futebol fosse dividido entre AN e DN (Antes de Neymar e Depois de Neymar).
Deu no que deu. Estamos há 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo.
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Para não ser injusto, Neymar hoje lembra muito Romário pós-Tetra 94. Eleito o cara da Copa nos EUA em 1994, Romário quis jogar na marra a Copa de 1998 na França. Não se cuidou. Se esparramou nas praias do Rio esgarçando a panturrilha nos jogos de futvôlei. Futvôlei, uma mania entre nove de dez jogadores brasileiros naquela época. Futvôlei antes, KingLeague hoje e as mesas de poker e videogames.
Romário, panturrilha rasgada, vira objeto nacional de discussão na Copa de 98 até ser cortado da Seleção às vésperas da estreia do Brasil no Mundial da França.
É a mesma situação de agora. Neymar, sem a mínima condição física a ponto de comprometer a parte técnica de seu jogo, é reivindicado na Copa de 2026.
A exemplo de Romário em 98, Neymar não se cuidou para chegar inteiro em 2026. Se a Copa agora em 2026 fosse prioridade de sua vida, aos 33 anos, deveria ter-se preparado desde a queda do Brasil na Copa de 22 no Catar quando lançou ao mundo seu último relâmpago no futebol – aquele gol espetacular na Croácia que poderia levar o Brasil às semifinais contra Argentina.
Ancelotti tem mais o que fazer nesse momento. E que Neymar lute para provar que merece estar na Copa do Mundo de Donald Trump.




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