O futebol italiano está em crise após a renúncia do presidente da Federação Italiana de Futebol.
Alerta do presidente da Uefa escancara a decadência do cálcio, fora da Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva.
Nick Ames, The Guardian – 2 abril 2026 – (15h45) –
A crise que assola o futebol italiano se aprofundou com a renúncia do presidente da federação de futebol do país, Gabriele Gravina, e o alerta do presidente da Uefa , Aleksander Ceferin, de que o país corre o risco de perder o direito de sediar o Euro 2032 em conjunto com outros países.
Gravina anunciou sua renúncia em uma reunião de emergência do conselho geral da Federação Italiana de Futebol (FIGC), dois dias após a Itália não conseguir se classificar para a Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva, perdendo nos pênaltis para a azarona Bósnia e Herzegovina . Ele vinha sendo alvo de forte pressão desde a eliminação em Zenica, com o ministro do Esporte do país, Andrea Abodi, intensificando a pressão ao pedir “uma renovação da liderança da FIGC”.
O mais recente fracasso da Itália na Copa do Mundo já não parece ‘O Fim’, mas sim a mesma triste canção repetida em loop – Nicky Bandini, jornalista italiana.
O gesto do dirigente Gravina foi seguido por Gianluigi Buffon, chefe da delegação da seleção, que também anunciou sua renúncia na quinta-feira. O próximo pode ser o treinador Gennaro Gattuso, cujo reinado de 10 meses no comando da Azzurra parece ter terminado de forma inglória. Gattuso substituiu Luciano Spalletti em junho de 2025, mas pode pagar caro por não ter alcançado a meta de curto prazo de classificação para a Copa do Mundo.
Um novo líder será eleito em junho e terá que lidar com problemas que afetam o futuro da Itália no cenário internacional. O país deve sediar o Campeonato Europeu ao lado da Turquia daqui a seis anos, mas crescem as preocupações dentro da UEFA sobre as condições dos estádios. Essa preocupação foi expressa em uma entrevista concedida por Ceferin à Gazzetta dello Sport na quinta-feira, na qual ele não hesitou em falar sobre a necessidade de a Itália melhorar rapidamente sua situação.
“O Euro 2032 está agendado e vai acontecer, disso não há dúvida”, disse ele. “Só espero que a infraestrutura [na Itália] esteja pronta. Se não estiver, o torneio não será realizado na Itália. Talvez os políticos italianos devessem se perguntar por que a infraestrutura para o futebol está entre as piores da Europa.”
Itália precisa anunciar seus cinco estádios para o torneio em outubro, a partir de uma lista atual de 11 cidades, mas apenas o Allianz Stadium, da Juventus, atende aos requisitos. Embora existam planos para grandes reformas no San Siro, em Milão, e no Estádio Diego Armando Maradona, em Nápoles, além de um novo estádio em Roma, o tempo está se esgotando, já que as obras de qualquer novo estádio ou reforma de um existente precisam começar até março de 2027. O Estádio Artemio Franchi, da Fiorentina, está passando por reformas.
Há muito tempo existe frustração dentro e fora da Itália com a lentidão do país em modernizar suas instalações de futebol. “O maior problema no futebol italiano é a relação entre a política do futebol e a política ‘normal’”, disse Ceferin.
Ceferin falou pouco antes da renúncia de Gravina. Os dois são aliados próximos, com Gravina atualmente ocupando o cargo de primeiro vice-presidente da UEFA, e Ceferin alertou que os problemas da Itália vão além de um único homem. “A maior perda seria para a FIGC”, disse ele. “Não será fácil encontrar um cavalheiro que ame tanto o futebol e a Itália.”
Gravina, que assumiu a presidência em 2018, estava presente quando a Itália conquistou a Euro 2021, mas viu a seleção, tetracampeã mundial ser derrotada em casa pela Macedônia do Norte na repescagem para a Copa do Mundo do Catar 2022. A Itália também foi derrotada com facilidade pela Suíça nas oitavas de final da Euro 2024. Ele assumiu publicamente a responsabilidade após a derrota para a Bósnia e Herzegovina, mas alertou para problemas muito mais profundos, dizendo: “A crise é profunda, o futebol [italiano] precisa ser reformulado”.




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