A insensatez de Tite

Tite estava na China quando Liverpool e Tottenham reviravam o mundo do futebol na Liga dos Campeões em jogos na Inglaterra e Holanda nesta primeira semana de maio.

Treinador da Seleção Brasileira atravessou o planeta para acompanhar in loco seus velhos conhecidos Paulinho e Renato Augusto nos jogos do Guangzhou Evergrande e Beijing Guoan. Os dois pupilos estão no radar da convocação da Seleção para Copa América.

Tite deixou de ver as semifinais da Champions League, de sabida importância e com algo a dizer do futebol, para ver de perto o insosso Campeonato Chinês, competição transmitida ao vivo para o Brasil pela ESPN.

E, um acinte, foi lá observar dois jogadores quase veteranos que ele conhece dos tempos de Corinthians e estão na Seleção desde 2016, ano da chegada do técnico na CBF.

Enquanto isso, a Europa fervia. Para não parecer descuidado, treinador da Seleção escalou dois de seus assessores de comissão técnica, Cleber Xavier e Fábio Mahseredjian, para acompanhar Liverpool x Barcelona e Ajax x Tottenham e anotar no tablet o desempenho de Arthur, Philippe Coutinho, Fabinho, David Neres (que não jogou) e Lucas Moura, esse por mero acaso, todos selecionáveis.

Até pela liturgia do cargo, Tite deveria estar nas tribunas do Anfield em Liverpool naquela épica noite de terça-feira quando o Liverpool pulverizou Barcelona de Messi. No dia seguinte, deveria ocupar uma poltrona de destaque na Arena Cruyff em Amsterdã para ver como o Tottenham liquidou os meninos do Ajax.

Quem gosta e busca conhecimento de futebol tinha obrigação de acompanhar esses dois jogos. Imagina então um treinador de Seleção Brasileira.

Outro detalhe a ser considerado. Em vez de gastar um tempo danado para rasgar o planeta até a China, Tite deveria se encontrar com Neymar em Paris. Ter uma conversa particular com o jogador a respeito das últimas polêmicas em que se meteu e acertar os ponteiros pensando na Copa América.

Nada feito. Tite deixou de ver a revolução escancarada nos dois jogos da Champions. Não falou com Neymar. Mas optou por conversar com Paulinho e Renato Augusto, dois personagens, de muitos, do fracasso do Brasil na Copa do Mundo da Rússia. Perdeu tempo.

A insensatez de Tite pode custar caro. A conferir.

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