Inglaterra vence Holanda de virada por 2 a 1 e desafia a Espanha na final da Euro 2024 – domingo, 16h, em Munique. Vitória dos ingleses tem uma série de histórias simbólicas a mostrar a magnitude do futebol. Só o futebol é capaz de proporcionar esse fenômeno.
Vamos entrar no BVB Stadion Dortmund, do Borussia, sede da semifinal Holanda x Inglaterra. Holandeses, maioria na arena, têm o privilégio de ocupar o setor sagrado do estádio onde fica a Muralha Amarela, torcida de gladiadores do Borussia. Ali, muito do que acontece no jogo, segue o ritmo da Muralha. Como se fosse o altar do BVB.
Então os holandeses formam a Muralha Laranja a empurrar a seleção. Do lado oposto, estão os ingleses. Quase todos sem camisa a exibir tatuagens e símbolos do antigo hooliganismo.Os que estão vestidos adotam modelo retrô a remeter a um tempo em que a Inglaterra impunha medo, mas também não ganhava nada.
Quis o destino do jogo que o gol de Xavi Simons, outro adolescente a fazer bonito na Euro 2024, sai na baliza defendida por Pikford no setor da Muralha Laranja. Gol aos 7 minutos, de uma bola subtraída do lorde Rice.
Se o menino Xavi parecia pronto a fazer história, o experiente Harry Kane também queria seu lugar. Em lance casual na área, Dumfries sola Kane. Pênalti. Kane bate e decreta o empate na semifinal, 11 minutos depois do gol de Xavi. Gol de Kane em frente ao território das arquibancadas ocupado pelos torcedores ingleses.
Dumfries, olha o futebol aí, salva na risca gol certo em arremate suave de Phil Foden. Se redimia do pecado do pênalti em Kane, quatro minutos depois. E sete minutos mais tarde, Dumfries manda bola no travessão de Pickford.
Jogo se transcorre em ritmo acelerado. Holanda segura Inglaterra no primeiro tempo. Sofre um bocado no segundo e, quando se avizinhava a prorrogação, dois personagens pedem passagem. Aos 36 minutos – a 9 do fim de jogo –, Gareth Southgate troca Kane por Watkins e Foden por Palmer. Como assim, sacar dois expoentes da seleção e lançar dois jovens jogadores no gargalo de fim de jogo?
Pois é, aos 46, dez minutos depois de entrarem no jogo, Palmer (do Chelsea) acha Watkins (do Aston Villa) entrando na área. Watkins gira em cima do zagueiro laranja e fuzila Verbruggen. Inglaterra 2 a 1. Virada consumada.
Gareth Southgate, o crucificado, o senhor de todos os males da Inglaterra, o insosso, o responsável por tudo de ruim que a esquadra inglesa vinha produzindo na Euro, o condenado pela imprensa britânica, acerta na mosca. Palmer serve e Watkins executa. Substituições certeiras. Coisas do futebol.

Segundo gol da Inglaterra pulveriza os holandeses no campo e no colosso das arquibancadas do BVB de Dortmund calando a Muralha Laranja
Ao apito final os holandeses tombam um a um. Os ingleses se abraçam como nunca. Se dirigem ao gradil das arquibancadas onde os descamisados esgoelam “England”, “England”, “England”… devem estar lá até agora.
Inglaterra chega à segunda final consecutiva da Euro – em 2021, caiu derrotada pela Itália. A conversa agora é com a Espanha, então favorita até essa noite de quarta-feira (10/7) em Dortmund. Futebol tem muito a ensinar.





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