Luiz Antônio Prósperi – 18 julho 2024 (12h30)
Futebol faz de tudo para se dissociar de um mundo normal. Como se fosse de outro planeta onde a lei civilizatória se resume a pedidos de desculpas por trangressões ou falta de caráter.
Acompanhe três casos que aconteceram ao longo dessa semana e os pedidos de desculpas dos envolvidos em racismo, homofobia, crime e ódio:
1 – Quarta-feira (17/7) – John Textor, dono do Botafogo, fala em amor depois da vitória do Botafogo por 1 a 0 contra o Palmeiras. Pouco antes da partida, bonecos de Leila Pereira (presidente do Palmeiras) e de Ednaldo Rodrigues (presidente da CBF) são enforcados em uma passarela de acesso ao estádio Nilton Santos no Rio.
Reação de parte de torcedores, que enforcaram os bonecos, é efeito imediato das bravatas de Textor contra o Palmeiras e a suspeita de manipulação do Brasileirão de 2023 favorável ao Palmeiras.
Textor pede desculpas:
Uma garotinha me deu uma pulseira, na minha volta ao estádio, com a palavra “amor”. Isso é importante, todos nós sempre dizemos que os campeonatos são feitos de amor e não de ódio. E o que isso representou hoje era ódio. Aquilo não é o Botafogo, não nos ajuda a vencer e nem ajuda o time. Então, quero pedir desculpas à Leila e ao Ednaldo por isso. Tudo é sobre amor, essa é a mensagem“, disse Textor ao final do jogo.

2 – Segunda-feira (15/7) – Enzo Fernandez, jogador da Seleção Argentina e do Chelsea, pede desculpas por cântico racista e homofóbicos contra jogadores franceses da seleção. A canção ganhou repercussão na transmissão ao vivo no Instagram feita por Enzo no ônibus da Seleção Argentina após conquista da Copa América em Miami domingo.
Veja a letra da música:
“Eles jogam pela França
mas são de Angola
que bom que eles vão correr
se relacionam com transexuais
a mãe deles é nigeriana
o pai deles cambojano
mas no passaporte: francês”
Federação Francesa de Futebol aciona a Fifa que promete investigar o caso e punir os responsáveis.

Enzo Fernandez pede desculpas:
Quero sinceramente pedir desculpas pelo vídeo que postei no Instagram durante as comemorações com a seleção. A música inclui linguagem extremamente ofensiva e não há qualquer desculpa para essas palavras”
Julio Garro, Secretário de Esportes do governo da Argentina, pediu a Lionel Messi, capitão da seleção, e ao presidente da AFA, Claudio Tapia, que se retratassem pela música racista.
“O capitão da seleção nacional deve pedir desculpas. O mesmo que o presidente da AFA. Isso nos deixa, como país, em uma situação ruim depois de tantas glórias” .
Javier Milei, presidente da Argentina, reagiu de imediato e, pasmem, demitiu o Secretário de Esportes.

3 – Terça-feira (16/7) – Cacá, zagueiro do Corinthians, xinga repórteres após vitória de seu time por 2 a 1 contra Criciúma na Neo Química Arena em São Paulo. O jogador havia sido levado pela assessoria do clube à zona de entrevistas do estádio para falar sobre o jogo. Cacá se recusou a falar e disse apenas uma frase:
“Hoje é poucas, nem vou render muito, não. Pau no c… da mídia, e Vai, Corinthians”.

Pouco depois da meia-noite de terça-feira entrando na madrugada de quarta-feira, Cacá se retrata.
Cacá pede desculpas:
Pessoal, gostaria de me desculpar pela minha atitude na zona mista. Estava de cabeça quente por alguns comentários que vi sobre o time mesmo com a vitória e tive um comportamento ruim. Quero valorizar a vitória do grupo e dizer ao torcedor que seguimos juntos. Respeito muito o papel e trabalho dos jornalistas. Página virada e seguimos em busca do melhor para o Corinthians”.
Assim caminha o futebol. E La Nave Va.





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