Luiz Antônio Prósperi – 6 setembro (11h31)
Hoje é dia de se deitar no divã e ouvir milhões de psicanalistas diante da televisão com uma dúvida cruel: a Seleção Brasileira vai voltar a jogar bem? Mais: Teremos o prazer de ver Estevão e Endrick juntos no ataque? A partir das 22h as primeiras respostas serão conhecidas no estádio Couto Pereira, em Curitiba, palco de Brasil x Equador, valendo pontos na Eliminatórias da Copa do Mundo 2026.
Quem deve explicar parte de nossas angústias é Dorival Junior, comandante da Seleção e responsável pela montagem do time.
E não parece que o chefe vai dar conta. Devolver o prazer ao torcedor passa por ousadia na escalação do escrete.
Dorival, conservador como ele só, está sem coragem de jogar apenas com um volante (André ou Bruno Guimarães) com Gerson, o coringa, e Rodrygo naquele setor que os antigos e os boleiros chamam de meiúca.
Teríamos, na teoria, mais fluidez do meio para frente. Alegria.
Dorival não pensa assim. Por isso vai deixar Gerson no banco, escalar dois volantes (André e Bruno Guimarães) e o supervalorizado Lucas Paquetá a conduzir a Seleção. Carimbo da burocracia. Medo.

No ataque, outra manifestação nada ousada. Antes de Pedro se machucar, Dorival teria Rodrygo na direita, Pedro centralizado e Vini na esquerda.
Sem Pedro, o treinador projetou o ataque com Rodrygo, Endrick e Vini. Menos de meia-hora de treino, mudou tudo. Escalou Luis Henrique, do Botafogo, na ponta-direita, sacou Endrick e deslocou Rodrygo para a função de falso centroavante, Vini na esquerda.
Assim, estamos privados de ver Estevão, Endrick e Vini juntos no ataque e mais Rodrygo no papel de Neymar.
Estevão e Endrick, certamente bichinhos de pelúcia da maioria da torcida brasileira, ficarão lado a lado no banco de reservas à espera de um chamado.
Talvez, quando a novilha estiver se encaminhando para o brejo, Dorival recorra a um deles.
E voltamos ao divã.

O caso real de submetermos aos analistas passa também pela incômoda posição na tabela das Eliminatórias da Copa 2026: Brasil é o sexto colocado com ridículos sete pontos. Equador é o quinto com oito pontos.
Temos de vencer para subir na tabela e começar a pagar a dívida com o torcedor brasileiro.
MEMÓRIAS DO REPÓRTER
A última vez que a Seleção Brasileira jogou no Couto Pereira, estádio do Coritiba, remonta o ano de 2001. A serviço do Jornal da Tarde, eu estava cobrindo o jogo e o escrete nas Eliminatórias da Copa 2002.
A Seleção, como agora, treinava no CT do Athletico Paranaense. Rivaldo se apresentou ao técnico Luiz Felipe Scolari como o grande nome daquele time. Jogava no Barcelona.
“Muita gente fala que a gente não se esforça para jogar pela Seleção. Só a gente sabe o que faz para estar aqui. Saí do jogo do Barcelona ontem à noite (na véspera do início de treinamentos em Curitiba). Fretei um jatinho com meu dinheiro. A viagem foi terrível. Avião subia e caía. Fiquei apavorado. Turbulência de dar medo. Não dormi nada a noite inteira na viagem e estou aqui para treinar e jogar”, contou Rivaldo a esse repórter.
Outro assunto que dominava início dos treinos em Curitiba: Ronaldinho Gaúcho. Ele estava no PSG e voltava à Seleção depois de ser lançado por Vanderlei Luxemburgo em 1999. Era um menino magrelo, franzino, naquela época. Dois anos depois, voltava de Paris com outro corpo.
“Tchê, como você está forte, guri!” brincaram os colegas repórteres da imprensa gaúcha quando Ronaldinho Gaúcho saiu dos vestiários para o campo de treinos. Sim Ronaldinho estava bem mais forte. Era o começo de sua trajetória de se tornar um supercraque e encantar a Seleção.
Ronaldinho ficou no banco no jogo contra o Chile. Brasil venceu por 2 a 0 e pulou para a quarta colocação na tabela das Eliminatórias da Copa 2002. Rivaldo e Edilson marcaram os gols.
Seleção jogou com Marcos; Juan, Edmilson e Lúcio; Cafu, Emerson, Vampeta, Rivaldo (Juninho Paulista) e Roberto Carlos (Belletti); Edilson e Marcelinho Paraíba (Denílson). Técnico: Luiz Felipe Scolari.





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