Luiz Antônio Prósperi – 25 outubro (11h35)
Corinthians está a um passo do abismo. Tem três jogos decisivos na semana que vem. Na escala de glória ou inferno, time já sente o calor das labaredas ao frescor de nuvens claras. Segunda-feira (28/10), fora de casa, enfrenta o Cuiabá – adversário direto contra rebaixamento no Brasileirão. Dois dias depois, na quarta-feira (30/10), visita o Racing na Argentina valendo vaga à final da Copa Sul Americana. E, na outra segunda-feira (04/11), recebe o Palmeiras.
Derrotas ou empates nos três próximos jogos podem encaminhar a queda do Corinthians, primeiro atalho até conhecer, de fato, o fundo do poço.
Muito dessa derrocada passa por escolhas equivocadas do técnico Ramon Díaz, técnico capaz de encontrar a fórmula certa na armação do time e ao mesmo tempo rasgar a bula. Foi assim na eliminação diante do Flamengo na Copa do Brasil e empate no jogo de ida contra o Racing na Copa Sul-Americana, duas partidas para mais de 40 mil torcedores na Neo Química Arena.
Ramon Díaz não percebe, por exemplo, que Rodrigo Garro, seu principal jogador, está no limite da sobrecarga de tanto carregar o time nas costas. São 54 jogos na temporada – a maioria deles como protagonista da equipe. Garro, sem brilho e eficiência nas últimas partidas, precisa de tomar fôlego para continuar como o dínamo do time.
Treinador argentino também não consegue repetir esquemas táticos quando tem boas respostas de seus jogadores. Muito de suas substituições pioram o time e expõem a fragilidade do Corinthians na hora de assumir as rédeas da partida. Empate (2 a 2) contra o Racing escancara essa vertente. Mudanças que minam a confiança dos jogadores e tiram paciência da torcida no momento mais cruel da temporada.
Díaz ainda se dá ao luxo de barrar três jovens jogadores criados no clube por se negarem a antecipar renovação de seus contratos. Zagueiro Caetano, meia Matheus Araujo e atacante Giovane estão fora do grupo enquanto não se resolvem as questões contratuais. Atitude radical quando é preciso união de todos.
Enquanto isso, presidente Augusto Melo corre em busca de trégua na política interna do clube. Processo de impeachment pode ser suspenso, após parecer da Comissão de Ética do Corinthians. Entendem os comissários que é preciso esperar a conclusão do inquérito da Polícia Civil no caso de suposta corrupção no contrato da ex-patrocinadora Vaidebet. Seria uma vitória do presidente entre repetidas trapalhadas a condenar sua gestão ao longo de 2024.
Até por isso, o torcedor mais do que nunca tem de ser fiel. Corinthians joga como se estivesse de olhos vendados. Um passo em falso e o abismo é logo ali.
Preces à São Jorge, benção à Memphis Depay e Yuri Alberto.





Deixe um comentário