Luiz Antônio Prósperi –18 julho (20h05) –
John Textor anda agitado entre Inglaterra, França, Brasil e Estados Unidos. Movimentos estranhos e de muitas mumunhas no futebol. Uma teia de negócios entre compra e venda de jogadores, ações na Justiça e ameaça de ser arrancado do comando da SAF do Botafogo. Embaraço total.
A Eagle Football, a holding de clubes que tem Textor como um dos sócios, acaba de contratar volante Danilo, ex-Palmeiras, por 23 milhões de euros (R$ 148,8 milhões) do Nottingham Forest da Premier League.
Há menos de 15 dias, a Eagle e Textor negociaram o atacante Igor Jesus por 20 milhões de euros (R$ 128,8 milhões) e o zagueiro Jair Cunha por 12 milhões de euros (R$ 76,6 milhões) do Botafogo ao mesmo Nottingham Forest.
Nottingham me paga R$ 205,4 milhões (por Igor Jesus e Jair) e eu te pago R$ 148,8 milhões (por Danilo).
Enquanto as negociações se concluíam, preste atenção, o Crystal Palace, clube da Premier League da Inglaterra, culpava o Nottingham Forest por ter sido rebaixado na Liga Europa – segunda competição em importância na Uefa, abaixo apenas da Champions League – indo para a Liga Conferência (Conference Europe).
Nottingham assume a vaga que seria do Crystal Palace entre os clubes ingleses credenciados à Liga Europa
Por que o Crystal Palace é rebaixado e a vaga vai para o Notthingham ?
Alega a Uefa que o Crystal Palace pertence à Eagle, holding de clubes que também controla o Lyon. Portanto, dois clubes da mesma empresa não poderiam disputar a mesma Liga Europa.
Textor e a Eagle têm ações do Crystal Palace. Textor era um dos donos do Lyon, da França.
O Lyon, por não cumprir exigências financeiras, havia sido rebaixado à Segunda Divisão da França. Mas a bilionária empresária sul-coreana Michele Kang, também sócia da Eagle, assume controle do Lyon e entra com garantias financeiras para que o Lyon permaneça na Primeira Divisão da França e, por tabela, na Liga Europa.
Quem paga o pato é o Crystal Palace. Perde a vaga para o Nottingham Forest e recorre à Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) contra decisão da Uefa.
Voltamos ao Lyon, agora sob domínio da sul-coreana Kang.
O grupo de Kang alega que na administração do Lyon havia muitos negócios escusos durante mandato de John Textor. E até por isso exige saída de Textor do comando de todos os clubes na rede da Eagle. Botafogo é um deles.
Gerentes da SAF do Botafogo batem o pé e garantem a permanência de Textor no Botafogo.
Textor, habilidoso nas artimanhas de controle acionário de clubes da Eagle, percebe que será chutado a escanteio na holding da Eagle e se movimenta no tabuleiro do futebol.
Por coincidência das coincidências, Textor se aproxima de Evangelos Marinakis, empresário grego dono de Nottingham Forest, Olympiakos (Grécia) e Rio Ave (Portugal). Lembra das vendas de Igor Jesus e Jair ao Nottingham e compra de Danilo do mesmo clube?
Textor tem planos de sair de uma vez por todas da Eagle, se associar a Marinakis e criar uma nova holding de clubes com sede nas Ilhas Cayman, informa o site ge (globo esporte). Levaria o Botafogo, Molenbeek (clube da Bélgica) e o Florida (dos Estados Unidos), clubes que Textor tem o controle.
A situação é complexa.
Botafogo garante que nada muda na SAF e John Textor continua como chefe supremo.
Para quem nunca ouviu falar de Marinakis, provável novo sócio de Textor, é o mesmo empresário que está bem perto de fechar a compra de todas as categorias de base do São Paulo Futebol Clube. Marinakis e Julio Casares, presidente do São Paulo, já tem acordo fechado. Falta assinar os documentos.
(leia mais da bronca do Crystal Palace contra o Nottingham e Textor)





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