Luiz Antônio Prósperi – 1 agosto 2025 (12h07) –

Copa do Brasil paga ao campeão algo perto de R$ 100 milhões na soma geral de fases e premiação. Grana alta. Qual clube brasileiro desprezaria essa fábula? Nenhum. Apontada como a mais democrática das competições nacionais, a CB não é levada a sério por clubes bem estabelecidos. Aos pequenos, aninhados nas Séries B e C, e aos encrencados na temporada da Série A, a Copa do Brasil é uma dádiva. Uma boia de salvação. Jogos de ida das oitavas de final, disputados entre quarta-feira (30/7) e quinta-feira (31/7), mostram até onde vai o interesse real pela taça.

São Paulo, Flamengo e Cruzeiro não usaram o que têm de melhor no grupo de jogadores nesses jogos de ida das oitavas. Corinthians e Palmeiras, sim. Mas por outros motivos. Palmeiras teve time titular por se tratar de um clássico contra o principal rival. Prejuízo: perde zagueiro Bruno Fuchs por fadiga muscular.

Corinthians também jogou com todos titulares. E mais: lascado na Série A em se tratando na disputa pelo título, tem na Copa do Brasil a última corda contra areia movediça.

São Paulo, de elenco curto, usa reservas e meninos de Cotia contra o Athlético-PR e mesmo assim fica sem Wendel com lesão muscular ainda no primeiro tempo. E o Furacão, em apuros na Série B, também joga com os reservas no Morumbis.

Flamengo desmonta seu meio-campo no Maracanã diante do Atlético-MG. Expõe sua zaga ao ridículo, como no erro na saída de bola contra o Galo, por não ter bons reservas  no setor e sofre a derrota. Fla deixa claro que a CB não é prioridade. Aposta maior é o Brasileirão e, segundo plano, a Libertadores.

Atlético-MG faz o inverso. Perambulando na parte debaixo da tabela do Brasileirão, encara a Copa como de suma importância na temporada. Arrisca com todos titulares no Maracanã e sai fortalecido com a vitória.

Cruzeiro vem com time misto contra CSA. Não empolga e fica no empate no Mineirão. Frustrante. Qual a intenção do Cruzeiro na CB?

Fluminense, natimorto no Brasileirão com quatro derrotas consecutivas, ressuscita na Copa do Brasil ao encanar espírito do Mundial de Clubes, quando foi semifinalista, e vence o Inter no Beira-Rio. Está na cara que o Flu quer a CB.

O Inter, nem tanto. Tem a Libertadores como fonte de inspiração e a próxima parada é com o Flamengo.

Síntese disso tudo aí aos que não priorizam a Copa do Brasil é o enorme prejuízo de times que perdem jogadores lesionados, desgate físico da maioria e efeito moral negativo nas derrotas. Nesse momento a CB é um estorvo no calendário que já na próxima semana terá os confrontos das oitavas de final da Libertadores.

O que fazer? Nada, na avaliação da CBF. A entidade paga alto para valorizar a Copa e entende que a montanha de dinheiro é suficiente para atrair os competidores. Calendário nacional que se exploda.

Treinadores na sua maioria e jogadores, um pouco menos, condenam excesso de jogos. Se submetem ao sacrifício e pagam a conta. É uma fábrica de esgarçar músculos.

Culpam calendário apertado com a Copa do Brasil, Libertadores e Brasileirão confinados em um mesmo mês. E vai ser assim até o fim do ano. Temporada do futebol brasileiro só acaba dia 21 de dezembro.

Por isso, fica a pergunta: Copa do Brasil, a quem interessa?


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