Luiz Antônio Prósperi –21 agosto 2025 (15h11) –
Nenhuma morte registrada até a tarde desta quinta-feira (21/8) após a barbárie entre torcedores do Independiente da Argentina e Universidad do Chile. Ao menos 90 pessoas feridas (18 hospitalizadas), três em estado grave e 111 detidas resumem o saldo numérico dos atos de violência praticados na noite de quarta-feira (20/8) no estádio de propriedade do Independiente em Buenos Aires.
Antes de seguir no relato, acompanhe o documento abaixo:
Relatório oficial dos três hospitais de Buenos Aires com os nomes dos feridos e os danos físicos que sofreram durante os confrontos no estádio, segundo informa imprensa argentina:
Hospital Fiorito:
Gonzalo Alfaro está em estado crítico após cair de uma altura. Corre risco de vida e será submetido a cirurgia.
- Jaime Mora, cirurgia de fratura.
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Pablo Mora, trauma múltiplo.
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Brayan Martínez, esfaqueado.
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Ignacio Castro, sutura da cabeça.
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Diego Trujillo, trauma múltiplo.
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Sebastián Aliste, politrauma.
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Fernando Ortiz, politraumatizado na cabeça.
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Hian Abreu, trauma múltiplo.
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Carlos Mesa, ferimentos múltiplos.
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Román Silva, lesões múltiplas.
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Victoria Neira, politrauma.
Hospital Presidente Perón:
- Andrés Villalobos, traumatismo craniano (em observação).
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Diego Montero, esfaqueado na parte superior do peito e traumatismo craniano.
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Renato Urbina, traumatismo craniano.
Hospital Wilde:
- Joaquín Vaina, politrauma.
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Rubén Torres, lesões múltiplas.
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José Acuiada, politrauma.
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Patricio Valenzuela, trauma múltiplo.
De volta ao caso.
Relatórios dos três hospitais em Buenos Aires traduzem os crimes cometidos nas arquibancadas na noite de terror.
Recolhidos os feridos, averiguados os detidos e investigações abertas, começa a caça aos culpados, a longa e eterna procura por vilões e responsáveis pela violência.
Autoridades de segurança da Argentina, da província de Buenos Aires, e entidades esportivas – como a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), responsável pela competição (a Copa Sul-Americana), Fifa e até a CBF – emitem notas oficiais repudiando a batalha. E, para variar, cobrando providências.
Querem salgar o corpo, no caso o futebol enfermo da América do Sul.
Infelizmente as entidades de segurança e desportivas não terão sais suficiente para imunizar o cadáver e embalsamar o insepulto.
O que se viu (os vídeos viralizam nas redes da internet) nas arquibancadas do estádio no jogo Independiente e Universidad Chile, pela Copa Sul-Americana, não é um caso isolado.
A cada partida no continente a violência campeia, se alastra como pólvora em fogo no paiol. Violência de fato, racismo, homofobia e atrofias do ser humano se multiplicam. E não se restringe aos nossos países vizinhos.
Aqui no Brasil tem se repetido com certa frequência crimes praticados por torcedores nas estradas, ao redor dos estádios e invasões de facçoes a centros de treinamentos (CT) dos clubes.
Nos relatos de invasões aos CTs, tem sido comum dedos em riste, toda sorte de palavrões e ameaças, inclusive de morte, para cima de jogadores, treinadores e dirigentes. É a prática comum.
Até mesmo Neymar, o ídolo maior do nosso futebol, viveu essa mazela nesta segunda semana de agosto. Neymar tem mais de 200 milhões de seguidores nas redes sociais.
Neymar é citado aqui para ilustrar como a face anônima de torcedores pode tudo.
A mesma face anônima esteve presente na batalha dentro do estádio argentino na noite de quarta-feira (20/8).
Anonimato acaba apenas quando seus nomes são revelados nos registros de hospitais e delegacias de polícia.
Depois são esquecidos e se transformam em números a engordar estatísticas das tragédias e a embasar teses de pesquisadores e estudiosos da violência.
Nesta quinta-feira, 21 de agosto de 2025, o futebol sul-americano se dá conta de que o sangue derramado há muito tempo corroem suas arquibancadas. A maioria delas em estado de putrefação.





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