Luís Felipe demitido na madrugada de terça-feira (03/3) por exigência e ordem do presidente do Flamengo, senhor Luis Eduardo Baptista, o Bap, chama atenção. Seria curioso não fosse trágico. Como colocar no olho da rua um treinador campeão de tudo em apenas 18 meses – entre 2024 e 2025 – e ainda após estrondosos 8 a 0 em cima do frágil Madureira de tantas lendas? Resposta simples: por capricho de um dirigente ainda deslumbrado pelo poder de comandar o clube mais rico do Brasil ou a Ilha dos Trópicos no futebol. Pois bem, Filipe Luis já era. A próxima atração é Leonardo Jardim, da farta escola portuguesa de técnicos de futebol. Acompanhe a seguir como os europeus encaram a queda de Filipe e os movimentos do Bap. Artigo abaixo estava entre dez mais lidos da edição online do sério jornal The Guardian da Inglaterra. Desfrute:
Por Rob Smyth, The Guardian, 3 de março 2026 (16h28)_
UM JEITO DIFÍCIL DE (FLAMEN)GO
Em 2021, durante uma entrevista abrangente ao The Guardian, o veterano lateral-esquerdo do Flamengo, Filipe Luís, descreveu seu clube como “provavelmente o clube mais exigente do mundo”. Na madrugada de terça-feira (03/3), ele deixou o “provavelmente” de lado. Filipe Luís, então um técnico de grande sucesso no Flamengo, acabara de ver sua equipe vencer o Madureira por 8 a 0 e chegar a mais uma final do Campeonato Carioca. Apesar disso, e do fato de ter conquistado sete competições diferentes em 18 meses no clube, ele foi sumariamente demitido. “O Clube de Regatas do Flamengo informa que Filipe Luís não estará mais no comando da equipe profissional”, começava um comunicado oficial que não deixava dúvidas sobre sua qualidade. “O Flamengo agradece ao ex-jogador e treinador Filipe Luís por tudo o que foi conquistado e compartilhado durante essa trajetória. O clube deseja a ele sucesso e muita sorte na continuação de sua carreira profissional.”
Um treinador receber esse tratamento após uma grande vitória não é intrinsecamente absurdo – basta lembrar do jogo de 7 a 1 entre San Marino e Inglaterra em 1993… –, mas este caso em particular parece bastante ultrajante. Faz menos de dois meses que Filipe Luís, de 40 anos e considerado um dos melhores jovens treinadores do mundo, estava na lista de candidatos para substituir Enzo Maresca no Chelsea. Em novembro, o Flamengo venceu o Palmeiras na final da Copa Libertadores e se tornou campeão sul-americano. Em dezembro, conquistou o título brasileiro e levou o Paris Saint-Germain para os pênaltis na final da Copa Intercontinental, a melhor campanha de uma equipe sul-americana desde 2012.
Filipe Luís elevou tanto o nível que as derrotas em competições menos importantes foram como um balde de água fria. Em fevereiro, o Flamengo perdeu a Supercopa do Brasil e a Recopa Sul-Americana; também perdeu os primeiros jogos do campeonato e três partidas no Campeonato Carioca. Mas ainda está firme e forte em ambas as competições, tendo vencido o Madureira por 11 a 0 no agregado na semifinal do Carioca. No domingo, enfrentará o grande rival Fluminense na final; uma vitória daria a Filipe Luís seu oitavo troféu em 101 jogos como técnico do Flamengo. Como muitos observaram, é como um clube inglês demitir um técnico que ganhou a Premier League e uma Copa maior, mas perdeu a Supercopa da Inglaterra e a Supercopa da Inglaterra no início da temporada seguinte e foi demitido no final de agosto.
Você ficará indignado ao saber que o Football Daily (Guardian) não assistiu a cada minuto dos últimos 100 jogos do Flamengo, então não estamos exatamente escondendo teorias sobre o motivo da demissão de Filipe Luís. A mais óbvia é uma velha conhecida: que o mundo inteiro perdeu o juízo. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista – também conhecido como “Bap”, e não, um homem de 65 anos realmente não deveria ter um apelido de três letras – certamente parece ser uma figura peculiar, então este pode ser simplesmente um caso de um presidente que perdeu completamente o juízo. Mas há quem diga que o sucesso de Filipe Luís mascarou algumas rachaduras cada vez mais visíveis: um estilo de jogo prosaico, dependência de bolas paradas, negligência com as categorias de base e, pior de tudo, uma recusa obstinada em adotar um apelido de três letras. O Football Daily (Guardian) tem certeza de apenas uma coisa: se os resultados piorarem sob o comando do sucessor de Filipe Luís, o bom e velho Bap descobrirá o quão exigente o Flamengo pode ser.





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