⊕ Maior, melhor, com mais frequência? Infantino não abre mão de sua ambição pelo Mundial de Clubes
⊕ Com 2 bilhões de visualizações na TV, US$ 2,1 bilhões (R$ 11,6 bilhões) em receitas e uma pressão para que seja lançado a cada dois anos, o projeto favorito de Infantino veio para ficar
Matt Hughes – The Guardian – 15 de julho (08h00) –
Tudo o que se pode dizer com certeza sobre o futuro do Mundial de Clubes é que ele não vai desaparecer. O troféu Tiffany de ouro 24 quilates, entregue a Reece James por Donald Trump em Nova Jersey, em uma das cenas mais surreais já vistas em um estádio esportivo, estará disponível novamente em quatro anos. O evento pode ser maior, a FIFA pretende que seja melhor e a apresentação certamente não será tão ousada.
Gianni Infantino foi amplamente criticado por impor o Mundial de Clubes a um público esportivo indiferente, em um cenário de hostilidade de sindicatos de jogadores e ligas nacionais, mas sua crença de que os principais clubes apoiariam sua visão foi confirmada, em grande parte devido ao prêmio de US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões). Com o Chelsea arrecadando £ 85 milhões (R$ 634,1 milhões) para vencer sete partidas, outros estão ávidos por uma fatia do bolo.
O jornal The Guardian noticiou no mês passado que a FIFA está considerando expandir a competição para 48 seleções em 2029, e enfrenta pedidos de alguns clubes para realizá-la com mais frequência. Durante as conversas entre a FIFA, os clubes e as confederações em Miami, durante o torneio, o Real Madrid levantou a possibilidade de realizar o torneio a cada dois anos, ecoando a campanha frustrada de Arsène Wenger por uma Copa do Mundo bienal.

Pressão do Real Madrid
O Real Madrid tem sido o maior sucesso comercial do Mundial de Clubes, com seus torcedores responsáveis por 25% da venda de ingressos. O clube precisa quitar um empréstimo de € 1,2 bilhão (R$ 7,7 bilhões) contraído para financiar a reforma do Santiago Bernabéu e está determinado a lucrar com seu apelo global.
A FIFA não tem planos de atender aos desejos do Real Madrid, pois até Infantino admite que isso seria um exagero, mas as discussões sobre a expansão para 48 times em 2029 continuam em pauta.
Infantino, em uma rara aparição pública na qual respondeu a perguntas no sábado (12/7), no novo escritório da FIFA na Trump Tower, citou Arsenal, Liverpool, Manchester United, Tottenham, Barcelona, Napoli e Milan como clubes que ele adoraria ter envolvidos no torneio de 2029. Clubes do velho mundo ainda geram os maiores cheques no novo.
O Paris Saint-Germain, finalista derrotado no domingo, é o único clube europeu a se classificar para 2029, ao vencer a Liga dos Campeões deste ano. Atualmente, o Chelsea terá que conquistar o direito de defender seu título por meio de atuações europeias, embora isso possa mudar.
Autoridades da FIFA admitiram reservadamente que o processo de qualificação está em aberto, assim como a sede. Conforme revelado pelo Guardian, o Catar reivindicou sua candidatura em reuniões em Miami no mês passado, mas há uma sensação de que a FIFA preferiria uma produção conjunta dos anfitriões da Copa do Mundo de 2030, Marrocos, Espanha e Portugal. Marrocos e Espanha, porém, querem sediar a competição sozinhos, e Portugal não demonstrou interesse.
Brasil também é candidato e fala em usar a estrutura da Copa do Mundo Feminina em 2027, levanta o dedo Samir Xaud, presidente da CBF.
A emissora que transmitiu o Mundial pode permanecer a mesma, com a FIFA em dívida com a Dazn por financiar o torneio com um acordo global de US$ 1 bilhão , financiado pela compra de 10% da empresa pela SURJ Sports Investment, da Arábia Saudita.
Infantino elogiou “um contrato revolucionário e único com a Dazn” no sábado, e a empresa de streaming está satisfeita com os resultados de seu maior empreendimento até agora.
Os números de audiência ainda não foram divulgados, mas fontes internas do Dazn afirmam estar encantadas com o engajamento e que ele gerou mais de 2 bilhões de visualizações, com cerca de 5% dos espectadores assinando o serviço premium.
Os índices de audiência têm sido particularmente altos no Brasil, com o Fluminense chegando às semifinais e o Palmeiras às quartas de final, com mais de 180 milhões de visualizações.

O primeiro jogo do Chelsea contra o Los Angeles FC gerou 8 milhões de acessos ao aplicativo Dazn, com a audiência global chegando a cerca de 25 milhões, incluindo contratos de sublicença como o Channel 5 no Reino Unido.
Infantino afirmou que o Mundial de Clubes gerou receitas de US$ 2,1 bilhões (R$ 11,5 bilhões), em média de US$ 33 milhões (R$ 181,5 milhões) por partida, com vendas totais de ingressos de 2,5 milhões e um público médio de 40 mil pessoas.
Realizar a maioria dos jogos em grandes estádios da NFL gerou uma imagem negativa de jogos com baixa audiência, principalmente nos primeiros jogos, projetados para atrair o público televisivo europeu, mas a FIFA acredita que a demonstração de ambição valeu a pena.
As preocupações com o bem-estar dos jogadores continuam sem solução em meio a uma queixa legal do sindicato global de jogadores, Fifpro. Jamal Musiala, do Bayern de Munique, foi o único jogador a sofrer uma lesão grave, mas as reclamações sobre o calor extremo e as condições de jogo foram inúmeras, e o impacto real da Copa do Mundo de Clubes sobre os combatentes só será conhecido nos próximos meses.
A essa altura, Infantino já terá começado a planejar a próxima Copa do Mundo de Clubes em busca do domínio da Fifa.





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