São Paulo não pode depender apenas de Maicon, virada do Atlético-PR serve como lição

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O São Paulo jogou apenas o primeiro tempo, carregado por Maicon. No segundo, vacilou em  momentos decisivos para definir o jogo e levou a virada do Atlético-PR por 2 a 1, na sétima rodada do Brasileirão. A derrota serve como lição a um time que costuma ser forte fora de casa e sem concentração no Morumbi quando está sem situação favorável.

Os primeiros 45 minutos foram de Maicon e de mais ninguém. Fez de tudo. Mandou uma bola no travessão do time paranaense, bateu falta difícil para o goleiro Werveton, comandou o time como um trator ara a terra, deu chapéu e fez o gol de cabeça da vitória parcial por 1 a 0 do São Paulo.

Uma atuação para não deixar dúvidas da importância de Maicon ao Tricolor. Se sabe que seu futuro no clube continua indefinido. Seus direitos federativos pertencem ao Porto e o período de empréstimo está próximo do fim. Dirigentes dizem que vão fazer de tudo para contratá-lo. Mas não se recomenda confiar nas promessas de cartolas.

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Enquanto os chefes procuram uma saída, se é que procuram, vale uma análise do peso de Maicon neste time organizado por Edgardo Bauza. Não se trata de um zagueiro de fino trato. Compensa com a inteligência que se espera dos defensores.

Bate quando tem de bater, espana nas adversidades, lidera dentro e fora do campo. Não tem tempo ruim. Quando necessário joga até no gol como fez no jogo contra o The Strongest. E também comete seu vacilos comprometedores.

Um jogador útil como Maicon mereceria dos dirigentes um pouco mais de atenção ou pelo menos uma satisfação aos torcedores. O São Paulo tem ou não cacife para bancar a contratação?

Informações de bastidores do Morumbi atestam que não.

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De volta ao jogo, o São Paulo teve 73% de posse de bola no primeiro tempo. Sem Calleri, baixa de última hora, teve Alan Kardec no ataque com Kelvin na direita e Centurión na esquerda. Na criação, o correto Ytalo, de boa passagem pelo Audax no Paulistão. Eles e mais Maicon não deram trégua ao Atlético-PR. O resultado 1 a 0 foi econômico.

No segundo tempo, com 20 minutos, Maicon quase não apareceu. Alan Kardec deu suas pixotadas. O time não jogou no mesmo ritmo.

O Tricolor só não esperava por uma mudança de atitude do Atlético, que voltou com o gordinho Walter no ataque. A tática era apertar a marcação e sair com mais velocidade. Funcionou. Em uma investida de Nikão, Otávio empatou, aos 20.

Bauza, incomodado, trocou Ytalo por Lucas Fernandes – uma busca de criatividade e juventude. E o garoto Luis Araújo, outra cria das categorias de base, no lugar de Kelvin, que saiu com a língua de fora de tanto que correu.

As mudanças não provocaram nenhum impacto positivo. Pior, deixaram o time mais fraco no ataque e vulnerável na marcação na saída de bola do adversário.

O Atlético, do seu lado, continuou ativo e mais bem organizado. Explorou bem as laterais e a lentidão de Lugano até chegar a um escanteio. Na cobrança de Nikão, Hernani marcou de cabeça virando o jogo com méritos: 2 a 1.

Com fama de ser um estrategista do sistema defensivo, Bauza dessa vez não conseguiu sustentar a vantagem no placar. O São Paulo levou uma virada que parecia improvável. Um duro golpe aos torcedores que enfrentaram uma temperatura de cinco graus no Morumbi.

A lição que fica é simples: é preciso ter equilíbrio quando se joga em casa. De nada adianta correria em busca de uma vantagem maior no placar se os pontos vulneráveis do time continuam um convite ao adversário.

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