Dorival Júnior prepara uma revolução no Santos

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Dorival Júnior pensa em promover uma revolução no jeito de o Santos jogar. Deu uma pequena mostra na expressiva goleada por 6 a 2 em cima do Linense na abertura do Paulistão 2017, nesta sexta-feira (03/2), na Vila Belmiro. Veja abaixo trecho da entrevista que o treinador concedeu ao CHUTEIRA FC, um dia antes da estreia do seu time no Campeonato Paulista.

No Santos, mesmo sem um título nacional, você considera seu trabalho bom?
Sou muito sincero. Nem sempre ganhar um campeonato é o maior prêmio para o profissional. Depois que acabou o Brasileiro, reuni a comissão e falei que esse treinador, e mais aquele, e aquele outro, me ligaram para elogiar o nosso trabalho. Você ouvir de profissionais o que eu ouvi vale mais do que um título. Um que me marcou foi o Tite. Ele me falou que o trabalho que desenvolvemos aqui é mais do que campeão. O Santos teve problemas que nenhum outro time teve. Tivemos muitos jogadores convocados para seleções, mas nem sempre a saída deles é o pior, a volta também é um problema. Teve jogador, cujo nome não vou citar, que não se recuperou mais. Só vai se recuperar agora, depois da pré-temporada. E as pessoas não sabem disso. Falaram que o problema foi termos perdido do América-MG, do Internacional e de outros times da parte de baixo da tabela, mas não foi. Para mim, o pior foram esses momentos pontuais em que você demora um pouco para a readaptação, e aí deixamos pontos preciosos.

Neste ano, o elenco está mais preparado para enfrentar essas situações?
32313952890_608dd01fd6_mNós conseguimos em um primeiro momento uma composição de elenco, coisa que a gente não tinha. Nós nunca pudemos dizer que tínhamos de fato um elenco. É uma pena que a gente esteja agora com os zagueiros machucados (Luiz Felipe, Gustavo Henrique e David Braz). E é um risco que eu tenho de correr, não posso contratar mais um zagueiro, aí depois eles voltam e eu fico com seis.

Você tem falado em colocar em prática alguma ideias ousadas, como jogar com apenas um zagueiro. De onde vem isso?
É uma ideia que eu sempre tive. Quem definiu que dois zagueiros são necessários no futebol? Por que não cinco meio-campistas? Dizem que o Renato é volante, mas quando ele pega a bola à frente da área, ele joga como um meia. O Leandro Donizete, quando eu o levei da Ferroviária para o Coritiba, ele jogava com o Rodrigo Mancha e era o volante que ficava mais avançado, no Atlético foi que passou a atuar mais atrás. Ele não tem a característica do Renato, mas tem outra característica, mais próxima do Thiago Maia, de combatividade muito próximo à área adversária. De repente eu posso ganhar uma função nova com ele ali, jogando com dois caras de uma agressividade maior de combate.

O Guardiola costuma escalar jogadores que não são da posição como zagueiros. Sua ideia é a mesma?
Não, o que eu penso é um pouco diferente do que ele faz. Ele coloca dois zagueiros, mas um não é da posição. Aí, é natural que ele ganhe uma saída de bola muito consistente. Quando coloquei o Yuri ali, a única coisa que eu pedi é que ele não fosse um zagueiro. Quando a gente tem a bola, ele tem a obrigação de jogar mais próximo do Thiago e do Renato, empurrando os dois mais para o campo do adversário. É claro que na perda da bola ele tem de estar próximo do atacante adversário. Para jogar é uma coisa, na perda da posse da bola, é outra. Essa é a função que eu quero imaginar que eu consiga. Por outro lado, no ano passado fomos o time que menos levou gols de bola parada.

Leia a entrevista de Dorival Júnior na íntegra e desfrute do pensamento do treinador do Santos a respeito do seu time e do futebol brasileiro. Imperdível.

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