Grêmio é tricampeão da Libertadores e celebra o ídolo Renato Gaúcho

Grêmio é campeão da Libertadores 2017 Jogadores do Grêmio celebram conquista da Libertadores 2017 - foto: AFP

Grêmio se junta a Santos e São Paulo na consagração de tricampeão da Copa Libertadores. Conquistou seu terceiro título ao vencer o Lanús na Argentina por 2 a 1. Celebra também Renato Gaúcho, campeão como jogador (em 1983) e treinador (em 2017), o único a conseguir esse feito no futebol brasileiro.

De orçamento baixo, moldado em jogadores formados em casa – como goleiro Marcelo Grohe, volantes Arthur e Ramiro e o meia Luan – mais um punhado de renegados – Cícero, Edílson, Cortez, Fernandinho, Léo Moura, entre outros –, Grêmio conquista o título sob o comando de um ídolo também criado nos seus canteiros, Renato Gaúcho.

Essa verdade foi coroada pela Conmebol que deu o prêmio de melhor goleiro da Libertadores a Grohe, melhor zagueiro a Geromel, craque do jogo ao volante Arthur, que jogou apenas 45 minutos, e melhor jogador do torneio a Luan.

Aliás, passou da hora de Tite levar Luan para a Seleção Brasileira e deixar de insistir com Diego, do Flamengo, e Diego Souza, do Sport.

O JOGO

Primeiro tempo foi inteiro do Grêmio, sem contestação. De forma inteligente, acampou no território do Lanús nos 15 minutos iniciais para não deixar o dono da casa tomar conta do jogo. Marcou forte e obrigou time argentino a cometer erros na saída de bola. Claro, se armou para o contra-ataque quando se sentisse acossado.

Coerente com seu jogo de troca de passes, sem bolas esticadas, Lanús caiu na armadilha do time gaúcho. Quando arriscou em busca do gol em bola alçada na grande área de Marcelo Grohe, levou contragolpe fatal. Fernandinho aproveitou vacilo do zagueiro e partiu da linha divisória como um foguete até ficar cara a cara com goleiro Andrada e fuzilar: 1 a 0, aos 27.

Gol de Fernandinho fortaleceu ainda mais a estratégia gremista. Arthur, impecável, roubava a bola, articulava a saída e procurava Luan, o jogador diferente de todos em campo.

Livre, leve e solto, sem alguém grudado nos seus calcanhares, Luan construiu uma obra-prima ao receber passe de Arthur, enfileirar alguns argentinos pelo caminho até encontrar goleiro Andrada e, com uma cavadinha comum aos craques, marcar o segundo gol do Grêmio, aos 41.

Segundo gol que estabeleceu a hierarquia do jogo decisivo da Copa Libertadores. A superioridade era tamanha que a maioria dos argentinos no estádio La Fortaleza engolia seco. Apenas se ouvia uma charanga num esforço hercúleo a animar seus jogadores. E, evidente, júbilo total dos gremistas na velha arena do bairro de Buenos Aires.

Segundo tempo começa com notícia ruim para o Grêmio. Arthur, um esteio do time, cai no gramado e pede substituição, fruto do tornozelo avariado no minuto final do primeiro tempo. Acomodado no banco, chorou diante da impossibilidade de continuar no jogo que valia a taça.

Sem Arthur, time gaúcho perdeu um pouco do compasso. Lanús veio para cima, como se esperava. Grêmio recuou, deixou de marcar lá em cima e chamou o sofrimento para si.

Sem desespero, fiel ao seu estilo de troca de passes, conseguiu um pênalti, que foi convertido por Sand, aos 27. Era o que a torcida argentina precisava para sair do silêncio absoluto e incendiar La Fortaleza.

Renato Gaúcho percebeu que era necessário dar vida nova ao seu time. Então trocou o inútil Lucas Barrios por Cícero, o amuleto, por volta dos 30 minutos. Cícero comporia o meio-campo e Luan seria o atacante solitário.

Tempo escoava. Havia pressa no Lanús e ansiedade acima do normal no Grêmio. No placar agregado, vencia por 3 a 1. E mais drama. Zagueiro Bressan saiu machucado, aos 36. Pior, Ramiro deixou o jogo expulso por excesso de reclamação na cobrança de fair play em uma reposição de falta.

Dali para frente eram 10 gremistas contra 11 argentinos e um estádio pulsante como um caldeirão fumegante. Grêmio teria de baixar a fervura com o peso de sua camisa, até então bicampeã da Libertadores. Faltava pouco para a consagração do tri.

Luan teve a chance de resolver tudo, aos 44. Em contra-ataque puxado por Fernandinho, o craque recebeu passe adocicado e, ao arriscar com nova cavadinha, Luan perdeu o gol. Um capricho do futebol. Seria a coroação do melhor jogador do Brasil de um clube nacional em 2017. Não deu.

Mas que gremista se importaria com isso. Cinco minutos depois, o jogo acabou. Grêmio tricampeão da Libertadores. Lado azul de Porto Alegre explodiu. América ficava um pouco mais azul.

Do lado do Lanús, jogadores não desabaram ao apito final. Provaram a toda Argentina que um time de bairro, como é conhecido, também pode sonhar.

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