A Felipão o que é de Felipão

Felipão volta ao futebol brasileiro no clube a que aprendeu amar. Fosse outro a fazer o convite, não o Palmeiras, recusaria de pronto. Por contrato terá dois anos e meio – até o fim de 2020 – para desfrutar dessa paixão declarada desde em 1997 quando aportou no Palestra Itália pela primeira vez em sua carreira.

Toda essa simbologia de afeto seria natural. Futebol se alimenta desses fetiches não é de hoje.

A encrenca é que a contratação de Felipão acontece no momento de crise política no Palmeiras, com efeitos imprevisíveis.

Há uma guerra intestina pelo destino do clube. Um dos focos é a conselheira Leila Pereira, patrocinadora e candidata a assumir as rédeas do clube a partir de 2021. Por meio de seu capital, com alto poder de convencimento, Leila acirrou uma divisão política a ponto de os três atuais vices-presidentes cobrarem, em carta pública, uma posição do presidente Mauricio Galiotte.

A intimação do trio de sustentação do mandatário: Galiotte põe um freio na ambição de Leila de “comprar o Palmeiras”, com está escrito na carta, ou a reeleição do atual presidente vai para o vinagre.

Muito dessa questão passa por uma decisão a ser tomada no dia 5 de agosto próximo quando conselheiros e sócios vão aprovar ou não o mandato de três anos já para o presidente a ser eleito em novembro deste 2018.

No caso de ser aprovado e Galiotte se reeleger, seu mandato iria até 2021. Neste 2021, Leila Pereira teria, por ordem do estatuto do clube, legitimidade para se candidatar à presidência do Palmeiras.

Opositores a essa nova ordem não querem ver Leila Pereira, a dona da Crefisa, no comando do clube fazendo valer de seu poderio financeiro.

Luiz Felipe Scolari

 

Neste tiroteio cego e com o time quase à deriva no Brasileirão à espera do mata-mata na Libertadores e Copa do Brasil, Galiotte, aliado ao seu escudeiro Alexandre Mattos e aval de Leila Pereira, convenceu Felipão a assumir o barco.

Ansioso como sempre, imprevisível em suas decisões e louco para voltar a trabalhar após se desligar do futebol chinês há mais de seis meses, Felipão aceitou o desafio.

De cara, impôs uma de suas condições: contrato de dois anos e meio, até fim de 2020 – Galiotte queria apenas por um ano e meio, até o fim de 2019.

Por que até 2020? Simples. Felipão quer segurança diante da guerra política no clube, cenário bem parecido com o que viveu na última passagem pelo Palestra, entre 2010 e 2012.

Feito o acordo, o treinador campeão de 1999 volta à casa. E aí cabe uma nova discussão ou interrogação: como será o time do Palmeiras em suas mãos?

1 – Guerreiro, de repertório curto, valente em casa, sanguíneo, de bola aérea, intransigente na hora de aceitar a derrota, de jogadores cascudos e muita imposição?

2 – Ou cerebral com tons acadêmicos, vistoso e nada pragmático?

Quem conhece Luiz Felipe Scolari apostaria na primeira opção. Aos 69 anos, o treinador certamente sabe qual caminho a seguir nessa nova empreitada. E tem plena consciência que as vitórias não virão apenas pelo amor ao Palmeiras e por ser amado pelo Palmeiras.

Desafio é enorme. Nem falamos aqui dos efeitos do 7 a 1. Do ranço do futebol brasileiro contra treinadores veteranos, nem de rendição ao capital da patrocinadora.

O momento sugere muito mais. No íntimo só ele pode dizer. A Felipão o que é de Felipão.

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