Copa América: Brasil continua refém das teorias de Tite e paga pecados no empate com Venezuela

Brasil sai vaiado da Fonte Nova em Salvador depois de um jogo melancólico e erros de Tite no empate por 0 a 0 contra a Venezuela pela segunda rodada da Copa América nesta terça-feira (18/6). Seleção teve uma atuação sem repertório, sem ideias claras e com direito a opções equivocadas de Tite que demorou uma eternidade para mandar Everton Cebolinha ao jogo diante de um adversário moldado para se defender. E não pode culpar o VAR por ter anulado dois gols brasileiros.

Empate sustenta Brasil na liderança do Grupo A, com quatro pontos, a mesma pontuação do Peru que havia derrotado a Bolívia por 3 a 1 mais cedo no Maracanã. Seleção leva vantagem no saldo de gols: 3 contra 2 dos peruanos, por isso está em primeiro na chave.

Se empatar na terceira e última roda diante do Peru, sábado, na Arena do Corinthians, Seleção Brasileira avança às quartas de final.

A classificação neste momento nem deveria ser discutida. Chama atenção a insistente teimosia de Tite em jogar com dois volantes lado a lado, como fez no primeiro tempo contra a Bolívia – com Casemiro e  Fernandinho – e agora contra Venezuela com Casemiro e Arthur e depois a entrada de Fernandinho no lugar de Casemiro contra adversários fechados na defesa.

Quando volantes são obrigados a priorizar a armação e não o desarme algo está errado. No Brasil de Tite, contra adversários retrancados, volantes atuam como meias. Natural seriam dois meias criando e um volante atento ao desarme. Tite não entendeu assim e pagou caro.

E o Brasil não teve nem do que se queixar no primeiro tempo. Contou com apoio incondicional da torcida baiana, ruidosa. Nada do silêncio do Morumbi. Atmosfera perfeita. Não havia empecilhos nem má vontade nas arquibancadas da Fonte Nova.

Encrenca mesmo era como resolver problemas de uma Seleção mecânica, presa aos movimentos de seus volantes Casemiro e Arthur. Frente a um adversário fechado, acampado na zona de gol, Brasil não deve ideias, nem saída.

Casemiro e Arthur não procuravam Coutinho. Se encarregavam eles mesmos de servir Firmino, e acionar Richarlison e David Neres com passes curtos e sempre onde o trânsito estava congestionado. Não havia escape com Daniel Alves, artífice das principais ações ofensivas contra a Bolívia, encaixotado pela eficiente marcação venezuelana.

Sem imaginação, Brasil rondou área da Venezuela e não obrigou goleiro a uma única defesa. E ainda sofreu alguns problemas em esporádicos contra-ataques da seleção Vinotinto. Não impactou.

Lição do primeiro tempo obrigava Seleção Brasileira ter mais meias de criação a volantes com chegada na área de ataque. E Everton Cebolinha já.

Tite não pensou nessa hipótese. Em vez de sacar Casemiro, advertido com cartão amarelo e sem função diante de um adversário fechado, treinador optou por sacar Richarlison e apostar na vivacidade de Gabriel Jesus, com Firmino atuando ao lado de Coutinho para articular o ataque e chutar de fora da área.

Problema que Jesus foi deslocado para jogar na esquerda e não como centroavante. Não funcionou. Apesar de Jesus ter feito um gol anulado pelo VAR – Firmino estava impedido.

Cinco minutos depois dessa alteração, Tite surpreende ainda mais substituindo Casemiro por Fernandinho. Seis por meia-dúzia. O rio continuou no seu curso natural. Seleção Brasileira travada, sem conexão.

Tite aprontou de vez. Tirou David Neres e mandou Everton Cebolinha, pedido pela torcida, aos leões. Everton, especialista por entortar adversários na esquerda, foi jogar na ponta-direita e Jesus continuou na ponta-esquerda e o sonâmbulo Firmino de centroavante.

Nada feito. Até Everton sair da direita e jogar no seu habitat natural, a ponta-esquerda, e rabiscar uma jogada para Coutinho fazer o gol do Brasil. Mas aí vem o VAR e anula segundo gol da Seleção com argumento de que Firmino, mais uma vez, estava impedido e tocou na bola após chute de Coutinho.

Naquele momento, o axé da Fonte Nova em apoio à Seleção era uma estrondosa vaia ao time de Tite. Enfurecida, a torcida mandava seu recado ao treinador do Brasil.

Incrédulo, Tite fechou os olhos ao fim da partida como lamento pelo resultado. Treinador parece perdido. A Seleção Brasileira é a tradução perfeita desse momento ruim de seu comandante. E tome mais vaias.

(post publicado no Chuteira FC)