Copa do Brasil: Corinthians enquadra Flu e fica perto da final

foto: site revistabaiacu

Corinthians sai forte do primeiro confronto diante do Fluminense, valendo vaga à final da Copa do Brasil. O empate quase no fim do jogo, obra de Roger Guedes, eleva time de Vitor Pereira a favorito na partida de volta em São Paulo dia 15 de setembro.

A quase glória neste primeiro jogo esteve perto da ruína logo no início.

Fagner, aos olhos de Tite nas tribunas do Maracanã, precisa de menos de um minuto – 25 segundos – de jogo para ser Fagner. Imprudente, entra de sola em Arias na grande área: pênalti (confirmado no VAR). Ganso respira fundo duas vezes, mira Cassio com olhar de hipnose e bate na bola com extrema classe. Fluminense 1 a 0. Delírio no estádio.

Um duro golpe ao Corinthians. Em pouco tempo se desmanchava no ar o que se precisava fazer para inibir o jogo envolvente e aglomerado do time de Fernando Diniz. O gol como um piscar de luz sobrecarregava ainda mais a tarefa dos comandados de Vitor Pereira, já aos dois minutos de partida.

Dono de si e senhor da razão, o Fluminense imaginava que teria vida fácil com  a rápida vantagem no placar. Era de se pensar em um adversário acuado, com medo de sair de suas trincheiras em busca do empate. Mera hipótese.

O Corinthians tinha Renato Augusto, e isso diz tudo. Infiltrado entre os volantes André e Nonato, o meia traz seu time ao campo do Flu. E passa a construir com Yuri Alberto a trama que levaria ao empate.

Um erro mínimo de passe de Nonato a André, a bola sobra a Yuri Alberto. O jovem atacante avança e no gesto simples ilude Nino, André e Manuel servindo Renato Augusto entrando na diagonal cara a cara com Fabio. Chute sai mortal: empate (1 a 1) do Corinthians.

Ganso vai ao fundo da rede, pega a bola, coloca debaixo do braço e caminha até o círculo central. Repete gesto de Didi na final da Copa de 58 quando o Brasil saiu em desvantagem diante da Suécia.

Dali para frente seria um duelo de dois meias extraclasse: Ganso x Renato Augusto. Melhor para o camisa 8 do Corinthians que passa a jogar no espaço do lateral-esquerdo improvisado Caio Paulista. Por ali transitava e demolia alguns pilares defensivos do Flu.

Ganso, ao seu estilo, respondia puxando seu time ao ataque com toques curtos, mas insuficientes para assumir o controle do jogo.

Estava encerrada primeira parte do confronto semifinal da Copa do Brasil.

foto: Fluminense oficial

E vem o segundo tempo com relâmpagos tricolores caindo no campo alvinegro. Detalhe: Diniz havia trocado Caio Paulista por um lateral-esquerdo de oficio, o Cris Silva.

Na primeira descida de Cris, sai o gol de Arias aproveitando rebote da defesa inimiga: 2 a 1 – com menos de 2 minutos.

Corinthians teria de remar tudo de novo contra aglomeração do Fluminense e sua envolvente troca de passes curtos sempre em busca do gol, muitos gols. E não deixar Ganso nem seu escudeiro Arias jogarem.

Sem alternativa, time paulista se sente acuado. Encolhe em seu campo e Renato Augusto, o mentor de tudo, já não anda mais. Vitor Pereira então troca três por atacado na tentativa de vitaminar seu time: saem Renato Augusto, Yuri e Adson e entram os robôs Ramiro, Mosquito e Vital.

Perder por apenas um gol de diferença no jogo de ida e contar com o colosso da Arena em Itaquera para reverter a desvantagem estava escrito na planilha do português VP.

Diniz retira Ganso de cena e coloca Michel Araújo na função do mestre. No seu primeiro lance, Michel erra passe e proporciona ao Corinthians a chance de surpreender a defesa carioca. A trama acaba com a bola em Roger Guedes que luta como um leão na grande área até bater no contrapé de Fabio: 2 a 2.

Fluminense sofria um duro golpe a cinco minutos do fim do jogo que era seu. E o Corinthians renascia à tradição de sobreviver quando não tem mais nem água nem ar. Está mais vivo do que nunca e muito perto da final. No jogo da volta na Arena Neo Química tem todas as armas ao seu dispor. Parada azeda a Fernando Diniz.