França vence Dinamarca, se classifica às oitavas e consagra Mbappé

Mbappé celebra gol diante da Dinamarca – foto: Fifa oficial

França vence Dinamarca e avança às oitavas de final da Copa Qatar 2022. Clássica e fatal, a última campeã do mundo carimba a vaga com Mbappé, autor dos gols na vitória por 2 a 1 no inusitado estádio de contêineres 974. Um assombro.

França tem mesmo credenciais de sobra a reivindicar a conquista da taça no Qatar 2022. Contra Dinamarca, segundo compromisso na Copa, se fez valer de seus pontas Dembelé e Mbappé, coordenados por Griezmman com assessoria dos volantes Rabiot e Tchouaméni. Quinteto de respeito. A destoar dessa quina, Giroud, centroavante de pernas e cintura duras.

Desde o início do jogo, a seleção francesa se impôs como dona da situação, patenteada como a última campeã do mundo ao levar o ouro em Moscou 2018.

Tudo tem origem em Griezmman. Recebe dos parceiros de meio-campo e aciona Mbappé ou Dembelé, sempre abertos nos cantos em busca de corredor para sair em disparada. Se algum obstáculo aparece, cuidado, vem drible desconcertante aí.

Momentos mais agudos da França, como não poderia ser diferente, têm as investidas de Mbappé e Dembelé. Deles nascem cruzamentos, às vezes arremates ao gol, e cruzamentos em busca de Giroud ou Rabiot, este chegando de surpresa na grande área.

Rabiot desviou de cabeça dois desses cruzamentos dos pontas e por pouco, muito pouco, não fez o primeiro gol francês.

Mais capricho na fase final do ataque, ali na zona de gol, e a França fecharia a primeira parte do jogo em vantagem.

A Dinamarca, pragmática e reconhecendo sua inferioridade, apenas se defendeu. Às vezes com uma barreira Viking tendo ao comando o estivador Cornelius.

Marcação de fronteira, a sustentar seu território, a seleção dinamarquesa insistiu nos contra-ataques sem sustos de ocasião ao goleiro Loris.

Eriksen, a estrela bem solitária da armada vermelha e branca, bem que procurou colocar seu ataque em sintonia, mas teve ações limitadas por Tchouaméni. Sem Erikesen, a Dinamarca não joga.

Vem o segundo tempo e os dinamarqueses começam a lapidar o jogo como se fosse uma geleira a virar abrigo. Esfriam o quanto podem o fogo de Mabappé e Dembelé e arriscam um pouco mais ao ataque e até conquistam alguns escanteios.

França aceita essa estratégia. Adormece. Sua torcida, maioria esmagadora no estádio 974 dos contêineres, também se aquieta.

Por onde andavam os infernais Mbappé e Dembelé? E Griezmman? Giroud não conta – e até saiu dando lugar a Turan.

Os dois estavam lá à espreita. Esperando parceiros, a bola chegar.

Mbappé foi o premiado na longa espera. Theo Hernandez, com uma estrada pavimentada à sua frente e sem trânsito, arranca com a bola, chama Mbappé. combinam o lance e o craque francês restabelece a hierarquia: França 1 a 0, aos 15 minutos.

Viking que é Viking não desiste de sua causa. A desvantagem no placar não poderia arruinar a armada. A resposta vem de imediato. De um escanteio o zagueiro Christensen aproveita descuido francês e faz o gol de empate: Dinamarca 1 a 1.

Se percebe um declínio físico dos franceses. Deschamps responde ao lançar o zagueiro Konaté no lugar de Varane e Coman por Dembelé.

Dinamarqueses, mais inteiros, suportam o clima de deserto, por mais bizarro que possa parecer, e criam boas duas chances para virar o jogo. Nada feito.

Quem não enfia a faca na França costuma pagar caro. Quem não presta atenção em Mbappé sofre já na véspera. Quem não marca Griezmman com devido rigor, pede para perder.

Então Griezmman faz cruzamento perfeito da direita encontrando raio Mbappé do outro lado. Craque sobe e, de coxa, desvia a bola ao gol: França 2 a 1, aos 40 minutos.

Ato final de uma França hierárquica. Dona da situação. Equilibrada e letal com Mbappé, o craque da Copa Qatar 2022 até aqui. Vai ser difícil parar o homem no deserto árabe.

Doha, 26 de novembro 2022. Por Luiz Antonio Prósperi