Luiz Antônio Prósperi – 19 setembro (22h00)

Flamengo perde do Peñarol no Maracanã apinhado por pouco mais de 64 mil torcedores. Muita gente a aumentar decibéis nas vaias e xingamentos a Tite e boa parte dos jogadores rubro-negros. Pulso da torcida traduz muito bem o que tem sido o Flamengo de Tite, seu filho Mateus e comissariado que até 2022 serviu à Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo. É a realidade de um clube de gestores preocupados com a reeleição no fim do ano e na Câmara de Vereadores do Rio em outubro. O risco de ser eliminado já nas quartas de final da Libertadores é tão evidente como as cores vermelha e preta do uniforme.

Claro que dói no lado humano, mas o lado da experiência também mostra que quando você produz bem, as reações do torcedor são compatíveis com o amor ao clube. Eu respeito muito até porque vivenciei bastante. Tenho o respeito quando a torcida critica com vaia ” – Tite.

Dor de Tite se cura com boas atuações do Flamengo. A encrenca é essa. Tite ainda não encontrou o caminho desde que assumiu o time em outubro de 2023. Muito tempo para tão pouco dentro de campo.

Entre a chegada ano passado e o desastre diante do Peñarol na quinta-feira (19/9), Tite ganhou uma penca de reforços caros, de bom nível, e perdeu outros mais por graves lesões. A mais sentida, sem dúvida, a cirurgia no joelho direito de Pedro, artilheiro e catalisador do Flamengo em 2024.

Perder e ganhar jogadores faz parte da rotina de um técnico. O que não se pode admitir é a falta de sintonia do time em todos os setores. Defende mal, cria pouco e, quando não tem Pedro no ataque, não assusta nem os inocentes da bola.

Sempre a dar ouvidos ao filho Mateus, seu auxiliar número 1 à beira do campo e cão de guarda nas entrevistas coletivas, Tite está perdido. Vive agora à beira do precipício.

A derrota para o Peñarol traduz toda essa sensação de que estamos frente a um treinador sem saber que rumo tomar. Agravante: faz do ídolo Gabigol um pária no Flamengo, sem a mínima boa vontade para recuperar o atacante, assim parece.

Desastre na temporada está bem encaminhado. Se não vencer Peñarol por pelo menos um gol e decidir a vida nos pênaltis no jogo de volta em Montevidéu, adeus Libertadores.

No Brasileirão está, com boa vontade, a cinco pontos dos líder Botafogo se vencer o jogo a menos que tem em relação ao rival. A novilha se aproxima do brejo.

E na Copa do Brasil vai medir forças com o Corinthians nas semifinais. Pode vencer, sim, mas não é favorito.

Você se lembra da carta da Dona Lucia ao Felipão depois do 7 a 1 na Copa de 2014? Começava assim: “Querido Professor Felipão…”. É só trocar o nome do técnico daquela época por aquele que hoje comanda o Flamengo.


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