Luiz Antônio Prósperi – 9 outubro (16h45)

Supremo Tribunal Federal (STF) garante permanência provisória de Ednaldo Rodrigues na presidência da CBF, após ministro Flavio Dino pedir vistas do processo no julgamento na Corte, nessa quarta-feira (09/10). A volta do julgamento ainda não tem data definida. O STF julgava a liminar imposta por Gilmar Mendes, em janeiro de 2024, a favor de Ednaldo e contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que havia afastado o presidente da CBF, em dezembro de 2023, e nomeado um interventor na entidade.

Pendurado na liminar de Gilmar Mendes, Ednaldo Rodrigues continua na CBF e não deve mudar sua política de centralizador na entidade. Poder que atinge diretamente os destinos da Seleção Brasileira, em crise nas Eliminatórias da Copa do Mundo 2026.

Dorival Junior corre risco. Se a Seleção não vencer Chile e Peru, próximos jogos das Eliminatórias da Copa, o treinador terá sua cabeça servida na bandeja de Ednaldo.  

Rodrigo Caetano, diretor executivo da Seleção, também deve sair. Dirigente tem proposta de voltar ao Atlético-MG em 2025. Sem autonomia no comando da Seleção, Rodrigo está com um pé fora da CBF. Outros diretores incomodados com Ednaldo também devem ser trocados.

Entenda o Caso Ednaldo

Ednaldo Rodrigues havia sido afastado do comando da CBF, em dezembro de 2023, por determinação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Argumento do TJ-RJ apontava inconstitucionalidade na eleição de Ednaldo à presidência em março de 2022. Ednaldo é afastado e o TJ-RJ nomeia interventor que vinha ser o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva.

Afastado da CBF, Ednaldo se socorre ao STF. Em parceria com políticos do partido PCdoB e advogados do IDP (Instituto de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) – fundado por Gilmar Mendes e administrado por seu filho e sócio Francisco Mendes –, Ednaldo entra com recursos STF que chega a Gilmar Mendes, que viria a ser o relator do caso no Tribunal. E também encaminha parecer à Fifa e Conmebol.

De imediato, Gilmar concede liminar dia 4 de janeiro de 2024 devolvendo Ednaldo Rodrigues à presidência da CBF. Gilmar argumenta que a intervenção na CBF poderia tirar o futebol brasileiro do Pré-Olímpico Paris 2024, a ser disputado em fevereiro de 2024. E mais: garantia autonomia das entidades esportivas. E a Fifa e Conmebol condenam interferência do Tribunal do Rio na CBF.

Gilmar submete o julgamento da liminar favorável a Ednaldo à pauta do plenário do STF. Julgamento é marcado para o dia 25 de setembro, depois de sucessivos adiamentos. Surpresa, no dia 25 de setembro Gilmar retira julgamento da pauta. Famoso empurra com a barriga até STF abrir o julgamento da liminar favorável ao presidente da CBF nessa quarta-feira (09/10).

Gilmar Mendes e a teia na CBF
Ministro Gilmar Mendes no STF – foto: STF oficial

ALIADOS DE EDNALDO

De janeiro a setembro, Ednaldo trata de se proteger. Associa ainda mais o CBF Academy, divisão da entidade que realiza cursos de futebol e gestão, ao instituto de Gilmar Mendes, o IDP, que assume o controle dos cursos. CBF Academy movimenta cerca de R$ 15 milhões por ano.

Três advogados do IDP passam a ter cargos dentro da CBF. Um deles, Hugo Teixeira (diretor de operações do IDP), é escalado por Gilmar Mendes na função de assessor especial do presidente Ednaldo na CBF, informa o jornalista PVC no UOL.

Tem mais: novo presidente do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), Luis Otávio Veríssimo, é doutorado em direito pelo IDP de Gilmar Mendes.

A teia está armada. Gilmar garante Ednaldo na CBF, com julgamento da liminar que concedeu ao presidente no STF. E se assegura com um aliado na presidência do STJD.

Se, por acaso, a liminar não fosse referendada por decisão do STF, Ednaldo Rodrigues deixaria o comando da CBF de imediato e quem assumiria como interventor seria o presidente do STJD, Luis Otávio Veríssimo. Gilmar Mendes no leme.


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Uma resposta a “STF Suspende Julgamento e Ednaldo Rodrigues Continua no Comando da CBF”

  1. […] também não ajuda. Presidente Ednaldo Rodrigues, com mandato pendurado no STF, adota política centralizadora tirando autonomia de quem está à frente da […]

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